Relatório mostra crescimento de 85% no uso de criptoativos por redes globais de exploração humana em 2025
O uso de criptomoedas por redes associadas ao tráfico humano avançou de forma significativa em 2025 e passou a refletir um alcance verdadeiramente global. Segundo o capítulo Human Trafficking do 2026 Crypto Crime Report, da Chainalysis, os fluxos de criptoativos direcionados a serviços suspeitos de tráfico humano cresceram 85% em relação ao ano anterior, alcançando uma escala de centenas de milhões de dólares entre os serviços identificados.
A análise mostra que, embora muitas dessas operações estejam concentradas no Sudeste Asiático, os pagamentos recebidos por essas redes têm origem em diversos países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Espanha e Austrália. O dado evidencia como as criptomoedas permitem que essas estruturas recebam recursos transfronteiriços de forma rápida, reduzindo barreiras geográficas e aumentando a complexidade do combate a esse tipo de crime.
Sudeste Asiático concentra operações, mas os fluxos são globais
De acordo com o relatório, a maior parte dos serviços suspeitos de envolvimento com tráfico humano opera a partir do Sudeste Asiático, região onde há crescente integração entre tráfico humano, golpes financeiros, cassinos online, plataformas de apostas e redes de lavagem de dinheiro de língua chinesa.
Essas operações utilizam principalmente aplicativos de mensagens como o Telegram para divulgação, recrutamento e intermediação de serviços, enquanto as criptomoedas funcionam como meio preferencial de pagamento por sua velocidade, alcance internacional e facilidade de conversão.
Serviços de “escort internacional” operam em escala profissional
Entre as categorias analisadas, os chamados serviços de “escort internacional”, frequentemente associados a tráfico humano, apresentam os sinais mais claros de operações altamente profissionalizadas.
Segundo a Chainalysis, 48,8% das transações ligadas a esses serviços superaram US$ 10 mil, indicando atuação em larga escala. Esses grupos operam com estruturas semelhantes às de empresas formais, incluindo atendimento ao cliente, pacotes padronizados e tabelas de preços — características que criam padrões financeiros detectáveis por ferramentas de análise on-chain.
A maioria dessas transações ocorre por meio de stablecoins, escolhidas pela previsibilidade de valor e pela facilidade de conversão, mesmo diante do risco de congelamento por emissores centralizados.
Integração com redes de lavagem de dinheiro
O estudo aponta que esses serviços estão fortemente conectados a redes de lavagem de dinheiro de língua chinesa e a plataformas de garantia, que funcionam como intermediários para a conversão rápida de criptoativos em moedas locais.
Essas plataformas reduzem a fricção financeira e ajudam a mitigar riscos operacionais, permitindo que fundos circulem com rapidez entre diferentes serviços. Ao mesmo tempo, o relatório destaca que essas estruturas representam pontos críticos de observação e intervenção para autoridades e instituições financeiras.
Tráfico humano e golpes financeiros caminham juntos
O capítulo também evidencia a conexão direta entre tráfico humano e golpes financeiros, especialmente no recrutamento forçado de pessoas para trabalhar em complexos de fraudes no Sudeste Asiático, incluindo esquemas do tipo pig butchering.
Agentes conhecidos como “labor placement” atuam no recrutamento e na transferência dessas vítimas, com pagamentos geralmente variando entre US$ 1.000 e US$ 10.000 — valores que coincidem com anúncios identificados em canais de recrutamento analisados pela Chainalysis.
CSAM e novos modelos de monetização
No caso de redes de material de abuso sexual infantil (CSAM), o relatório identifica uma mudança relevante nos modelos de financiamento. Em 2025, essas operações passaram a adotar modelos de assinatura, com pagamentos recorrentes geralmente abaixo de US$ 100, criando fluxos previsíveis de receita.
Embora o bitcoin ainda seja utilizado, há um aumento no uso de Monero, frequentemente associado a serviços de conversão instantânea sem exigência de KYC. A análise também aponta sobreposição crescente entre redes de CSAM e comunidades de extremismo online sádico (SOE).
Transparência da blockchain amplia possibilidades de combate
Apesar da sofisticação crescente dessas redes, a Chainalysis destaca que a transparência das blockchains cria oportunidades inéditas para rastreamento e interrupção de atividades ligadas ao tráfico humano — algo significativamente mais difícil em sistemas baseados exclusivamente em dinheiro físico.
O relatório cita ações recentes de autoridades que resultaram na identificação e desmantelamento de grandes redes, reforçando o papel da análise on-chain como ferramenta central no enfrentamento desses crimes.
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