Pedro Xavier, CEO da Mannah, vê setor de crédito como mais avançado e aponta para incerteza regulatória e falta mercado secundário como desafios para produtos tokenizados
O Brasil encerrou 2025 com cerca de R$ 4 bilhões em ativos tokenizados, de acordo com dados do RWA Monitor, consolidando a tokenização como uma infraestrutura em uso real. Embora o número ainda seja pequeno diante do tamanho do sistema financeiro nacional, o recorte do volume chama atenção. Uma parcela relevante dessas operações esteve concentrada no mercado de crédito, especialmente em recebíveis, crédito privado e instrumentos de dívida estruturada, em linha com o movimento observado globalmente.
Relatórios internacionais indicam que o crédito é hoje o principal motor da tokenização de ativos do mundo real. Dados compilados pela Binance Research mostram que aproximadamente 58% dos RWAs tokenizados globalmente estão ligados a instrumentos de crédito, como dívidas corporativas, recebíveis e estruturas semelhantes. Para Pedro Xavier, CEO da Mannah, especializada em blockchain, o avanço não é casual.
“A tokenização encontrou no mercado de crédito um problema real para resolver. Estamos falando de um setor historicamente marcado por baixa liquidez, custos elevados e pouca transparência. Quando você tokeniza uma dívida ou um recebível, esse ativo deixa de ser estático e passa a circular melhor, com rastreabilidade e fracionamento”, afirma. Segundo ele, o crescimento do volume tokenizado em 2025 está diretamente ligado à busca por soluções mais eficientes para o financiamento fora do sistema bancário tradicional.
No Brasil, essa tendência se reflete em operações conduzidas por plataformas e instituições que vêm usando blockchain para dar mais eficiência à originação e à distribuição desses ativos. Casos concretos ajudam a explicar essa dinâmica. Em 2025, a securitizadora VERT realizou uma emissão de aproximadamente US$ 130 milhões em certificados de recebíveis do agronegócio tokenizados em blockchain, uma das maiores operações do tipo no país. Antes, em 2025, a startup Mannah viabilizou, em parceria com a Hathor e a Acura, a tokenização de R$1 bilhão em precatórios, se tornando o maior RWA tokenizado na América Latina
O Mercado Bitcoin, por sua vez, informou já ter superado a marca de R$ 1 bilhão em ativos tokenizados, grande parte deles ligados a crédito privado, além de anunciar novos planos de expansão nesse segmento. Apesar do avanço, os gargalos seguem relevantes. O principal deles é regulatório.
Embora o tema tenha evoluído nos últimos anos, ainda há incertezas sobre enquadramento jurídico, responsabilidades dos emissores e proteção ao investidor, especialmente quando se trata de ativos de crédito. “No crédito, o risco é o coração da operação. Sem clareza regulatória e padronização jurídica, tudo acontece num ambiente controlado para evitar riscos. O mercado cresce, mas cresce com o freio de mão puxado”, diz Xavier.
Outro entrave está na integração entre o sistema financeiro tradicional e as infraestruturas blockchain. Sistemas legados, processos manuais e exigências de compliance tornam a operação mais complexa e reduzem parte dos ganhos de eficiência prometidos pela tokenização.
“Fala se muito em tokenização, mas a verdade é que boa parte do sistema financeiro ainda roda sobre infraestrutura dos anos 1990. Enquanto bancos gastarem mais para manter sistemas legados e cumprir processos manuais de compliance do que para introduzir tecnologias que podem ser inovadoras, a blockchain vai seguir sendo enxertada em estruturas antigas, com ganhos reais bem menores do que os prometidos”, afirma o CEO.
Nesse contexto, a tokenização do crédito avança em um ritmo que reflete menos o potencial da tecnologia e mais os limites do ambiente institucional em que ela está inserida. O volume registrado em 2025 indica tração, mas também evidencia que o mercado ainda opera em uma fase de adaptação com estruturas tradicionais.
“A tokenização não vai substituir o sistema financeiro, mas expor suas ineficiências. Se o Brasil conseguir usar esse processo para modernizar o mercado de crédito, o ganho é estrutural. Caso contrário, ela corre o risco de virar apenas uma vitrine tecnológica sem impacto real na economia”, conclui Xavier.
Saiba mais sobre a Mannah: Fundada por Pedro Xavier e Christian Aranha, a Mannah é uma startup especializada em tecnologia Blockchain. A empresa tem como objetivo descomplicar a blockchain e mostrar ao mercado que ele vai além das criptomoedas – o ativo mais conhecido dos brasileiros – e democratizar o acesso a esta tecnologia, que tem potencial para transformar o mercado financeiro. A Mannah viabilizou, em parceria com a Hathor e a Acura, a tokenização de R$1 bilhão em precatórios, se tornando o maior RWA (ativos do mundo real) tokenizado na América Latina. Saiba mais em: Link
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