Por Victor Papi, Gerente Geral da Transfereer
Foto: Victor Papi Ramos, Gerente Geral da Transfeera. Crédito de Imagem: Luciano Alves.
O sistema financeiro brasileiro vem passando por uma das transformações mais profundas de sua história recente. O que começou como um movimento de “outsiders”, startups que desafiaram o status quo dos grandes bancos, evoluíram para um ecossistema maduro, diverso e altamente regulado, que hoje é parte essencial da engrenagem financeira do país.
O surgimento das primeiras fintechs no Brasil coincidiu com um momento de grande avanço tecnológico e insatisfação dos consumidores com a experiência bancária tradicional. A digitalização acelerada, a popularização dos smartphones e a busca por soluções financeiras mais eficientes o ambiente perfeito para o nascimento de novas empresas focadas em eficiência, agilidade e experiência do usuário. Essas companhias trouxeram inovação a segmentos até então concentrados, como pagamentos, crédito e gestão financeira, transformando a relação dos brasileiros com o dinheiro.
Mas o amadurecimento do setor não veio apenas da inovação: veio também da regulação. O Banco Central e outros órgãos reguladores desempenharam papel fundamental ao criar um ambiente de segurança e previsibilidade jurídica. A introdução de categorias específicas, como as Sociedades de Crédito Direto (SCD) e as Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEP), o lançamento do sandbox regulatório e o avanço de iniciativas como o Open Finance e o Pix foram marcos que profissionalizaram o setor e ampliaram a confiança dos consumidores e investidores.
Segundo o Fintech Report 2024, do Distrito, o Brasil conta hoje com 1.592 fintechs operantes, representando 58,7% das empresas ativas na América Latina. Em volume de crédito, o crescimento também impressiona: R$ 35,5 bilhões de empréstimos em 2024, de acordo com dados da PwC. Esses números evidenciam não apenas o apetite do mercado, mas também a capacidade das fintechs brasileiras de competir e inovar sob um ambiente regulado.
A regulação trouxe ganhos claros: maior segurança para o consumidor, padronização de práticas e abertura de parcerias estratégicas com instituições tradicionais. Contudo, também impõe novos desafios: custos operacionais mais altos, necessidades de estruturas robustas de conformidade e governança, além da atualização constante frente a novas exigências normativas. O equilíbrio entre inovação e conformidade tornou-se o grande diferencial competitivo.
As fintechs que prosperaram nesse novo cenário foram aquelas que entenderam a regulação não como uma entrada, mas como um acontecimento de crescimento. Muitos investiram fortemente em tecnologia, análise de dados e automação de processos para garantir eficiência e transparência. Outros apostaram em alianças com bancos, marketplaces e empresas de tecnologia, ampliando seu alcance e diversificando receitas.
Hoje, as fintechs deixaram de ser vistas como uma ameaça ao sistema financeiro para se tornarem parte estratégica dele. Sua capacidade de combinação de inovação tecnológica com responsabilidade regulatória consolidada o Brasil como o principal centro de inovação financeira da América Latina.
O futuro aponta para um ecossistema ainda mais integrado, que nenhuma fronteira entre bancos, fintechs e big techs se torna cada vez mais difusa. Nesse cenário, quem melhor entender a regulação como aliada e conseguir extrair dela eficiência e confiança continuará liderando a transformação do sistema financeiro brasileiro, agora, de dentro para fora.
Minibio do porta-voz:
Victor Papi é Gerente Geral da Transfeera, empresa da PayRetailers e Instituição de Pagamento (IP) especializada em soluções de pagamentos para empresas. Papi é formado em Engenharia de Produção pela FEI e Pós-graduado em Gestão de Negócios pelo Insper. Com 10 anos de experiência no mercado financeiro, liderou a frente de automação e melhoria de processos do Itaú, idealizou as frentes de novos produtos da Porto Seguro, construiu a força de vendas da Cielo com contratação de pessoas jurídicas, e esteve à frente da área de Operações do Bankly. Foi também Diretor de Receita, Produto e Operações na Transferência antes de assumir a carga principal da empresa.
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