Estudo da Chainalysis mostra que grupos da China movimentaram US$ 44 milhões por dia ao longo do ano passado por meio de aproximadamente 1.800 carteiras ativas
São Paulo, 27 de janeiro de 2026 — A lavagem de dinheiro com criptomoedas alcançou um novo patamar em 2025. Segundo o capítulo Money Laundering do 2026 Crypto Crime Report, publicado pela Chainalysis, o ecossistema global de lavagem ilícita on-chain ultrapassou US$ 82 bilhões ao longo do ano, um crescimento expressivo em relação aos cerca de US$ 10 bilhões registrados em 2020.
O estudo aponta que uma parcela significativa dessa atividade passou a ser operada por redes de lavagem de dinheiro de língua chinesa, conhecidas como Chinese-Language Money Laundering Networks (CMLNs). Em 2025, essas estruturas movimentaram US$ 16,1 bilhões em criptoativos, o equivalente a 19,6% do volume global identificado — aproximadamente 20% do total.
Na prática, isso significa que essas redes processaram cerca de US$ 44 milhões por dia, operando por meio de quase 1.800 carteiras ativas, consolidando-se como uma das maiores infraestruturas de lavagem de dinheiro já identificadas no ecossistema cripto.
Migração para estruturas paralelas acelera crescimento
O avanço das redes chinesas ocorre em meio a uma mudança estrutural no comportamento de criminosos digitais. Desde 2020, o crescimento das CMLNs foi 7.325 vezes mais rápido do que o aumento dos fluxos ilícitos direcionados a exchanges centralizadas.
A análise indica uma migração clara para estruturas paralelas, impulsionada principalmente pelo risco crescente de congelamento de fundos em plataformas que adotaram políticas mais rigorosas de compliance e cooperação com autoridades.
Como resultado, as redes chinesas passaram a lavar consistentemente mais de 10% dos valores provenientes de golpes do tipo “pig butchering”, enquanto o uso de exchanges centralizadas como destino final dos recursos ilícitos apresentou queda contínua ao longo dos últimos anos.
Um ecossistema altamente profissionalizado
A lavagem de dinheiro com criptomoedas deixou de ser uma atividade fragmentada para se tornar um ecossistema altamente especializado e profissionalizado.
A Chainalysis identificou seis tipos distintos de serviços operando dentro das CMLNs, cada um com funções específicas:
- running point brokers, que atuam como porta de entrada dos fundos;
- money mules, responsáveis pela fragmentação e circulação dos valores;
- serviços informais de over-the-counter (OTC);
- serviços conhecidos como Black U, que negociam criptoativos de origem ilícita com desconto;
- plataformas de apostas utilizadas para disfarçar a origem dos recursos;
- e serviços especializados em troca, movimentação e conversão de ativos.
Esses componentes atuam de forma integrada, reproduzindo com precisão as etapas clássicas da lavagem de dinheiro: colocação, ocultação (layering) e integração.
Plataformas de garantia funcionam como hubs do ecossistema
No centro dessas operações estão as chamadas plataformas de garantia, como Huione e Xinbi, que funcionam como pontos de agregação entre compradores e vendedores de serviços ilícitos.
Segundo o relatório, essas plataformas oferecem infraestrutura de intermediação e escrow, mas não controlam diretamente as operações de lavagem, o que permite que vendedores migrem rapidamente para novos canais sempre que há ações de enforcement.
Mesmo após intervenções de autoridades — como remoções de contas em aplicativos de mensagens — os operadores continuam ativos, evidenciando a resiliência e capacidade de adaptação dessas redes.
Lavagem em escala industrial
Os dados on-chain analisados pela Chainalysis mostram que essas estruturas operam em escala industrial, com alta velocidade de processamento e uso intenso de automação.
Serviços do tipo Black U, por exemplo, foram capazes de processar grandes transações em média de apenas 1,6 minuto, priorizando clientes de alto valor. Já operações baseadas em mão de obra humana, como money mules, apresentaram maior variação nos tempos de liquidação, refletindo limitações operacionais naturais.
Enforcement gera impacto, mas não elimina o problema
Ações recentes de autoridades — incluindo sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, medidas do FinCEN e operações no Reino Unido — causaram disrupções relevantes, mas não foram suficientes para desmontar o ecossistema.
Segundo a Chainalysis, os operadores dessas redes demonstram elevada capacidade de migração, reorganização e continuidade, o que reforça a necessidade de estratégias que foquem não apenas nas plataformas utilizadas, mas principalmente nos operadores e facilitadores subjacentes.
Um desafio global em expansão
Embora as redes de língua chinesa representem hoje uma das maiores estruturas identificadas, o relatório ressalta que outros ecossistemas de lavagem também vêm evoluindo rapidamente, incluindo redes de língua russa e grupos altamente especializados em diferentes regiões.
Para a Chainalysis, o enfrentamento da lavagem de dinheiro com criptomoedas exige cooperação internacional, integração entre setor público e privado e uso contínuo de inteligência on-chain, à medida que o crime financeiro digital se torna mais sofisticado e globalizado.
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