O Bitcoin deveria valer US$ 150 mil hoje? Muitos analistas defendem que sim. No entanto, o mercado segue muito abaixo desse patamar. Um thread viral no X reacendeu uma discussão sensível: existe manipulação do Bitcoin por grandes players institucionais?
O nome no centro da controvérsia é a Jane Street Capital, uma das maiores firmas de trading quantitativo do mundo. A tese conecta três eventos: o colapso da Terraform Labs, padrões recorrentes de venda às 10h da manhã em Nova York e posições bilionárias em ETFs de Bitcoin como o iShares Bitcoin Trust da BlackRock.
Mas afinal: estamos diante de um caso real de manipulação do Bitcoin ou apenas de narrativa de mercado?
Manipulação do Bitcoin e o Caso Terra/Luna
O colapso da UST e do token LUNA, criados pela Terraform Labs, eliminou cerca de US$ 40 bilhões do mercado em 2022. O fundador Do Kwon acabou condenado por fraudes relacionadas ao ecossistema.
Uma ação judicial aberta no Distrito Sul de Nova York alegou que informações internas sobre movimentações de liquidez teriam sido compartilhadas com membros ligados à Jane Street Capital antes da retirada de US$ 150 milhões do pool Curve 3pool.
Minutos depois, uma carteira associada à firma retirou aproximadamente US$ 85 milhões do mesmo pool.
A acusação sugere uso de informação privilegiada e front-running. Contudo, é essencial destacar: não há condenação até o momento. A Jane Street classificou o processo como tentativa oportunista de recuperar perdas causadas pela própria falha estrutural da Terraform.
Portanto, até aqui, falar em manipulação do Bitcoin nesse episódio ainda é juridicamente prematuro.
Manipulação do Bitcoin nas “Quedas das 10h”?
Entre 2024 e 2025, traders observaram um padrão curioso: quedas recorrentes do BTC exatamente às 10h (horário de Nova York), coincidindo com a abertura do mercado acionário americano.
Esses movimentos:
- Derrubavam o preço entre 2% e 3% rapidamente
- Liquidavam posições alavancadas
- Eram seguidos por recuperação parcial
A Jane Street Capital atua como Authorized Participant (AP) em ETFs como o iShares Bitcoin Trust e produtos da Fidelity Investments.
Como AP, pode criar e resgatar cotas em troca de Bitcoin real, realizando arbitragem entre ETF e mercado spot.
A hipótese levantada é direta: se uma instituição controla fluxos de arbitragem e opera livros derivativos simultaneamente, ela poderia estruturar estratégias lucrativas explorando janelas previsíveis de liquidez.
Entretanto, novamente, não existe prova pública que confirme manipulação do Bitcoin nesse padrão específico. Mercados com liquidez concentrada naturalmente apresentam volatilidade em horários críticos.
ETFs, Derivativos e a Possível Manipulação do Bitcoin
No relatório 13F do quarto trimestre de 2025, a Jane Street Capital reportou:
- 20,3 milhões de cotas do iShares Bitcoin Trust
- Exposição que já chegou a US$ 2,5 bilhões
- Forte aumento na posição da MicroStrategy
À primeira vista, isso indica postura bullish.
No entanto, o 13F revela apenas posições compradas em ações e ETFs. Ele não inclui:
- Opções
- Futuros
- Swaps
- Estruturas OTC
Ou seja, uma posição longa declarada pode estar totalmente hedgeada — ou até fazer parte de uma estratégia líquida vendida.
Aqui surge o ponto central da narrativa de manipulação do Bitcoin: sem transparência sobre exposição líquida, o mercado enxerga apenas metade do risco.
O Precedente Regulatório na Índia
Em 2025, a reguladora indiana SEBI acusou a Jane Street Capital de manipular o índice BANKNIFTY em datas de vencimento de derivativos.
Segundo o relatório, a estratégia envolvia inflar o índice pela manhã e lucrar com opções vendidas. A empresa contestou a acusação, e o caso segue em disputa.
Embora não envolva Bitcoin, o episódio reforça que estratégias agressivas de arbitragem podem levantar questionamentos regulatórios.
O Debate Estrutural: Quem Define o Preço?
O limite de 21 milhões de BTC é imutável no protocolo. Porém, o preço é determinado por mercados que hoje incluem:
- ETFs spot
- Futuros regulados
- Opções
- Swaps institucionais
- Market makers globais
Portanto, a discussão vai além de uma única empresa. Trata-se da institucionalização do Bitcoin.
Se poucos players concentram liquidez, arbitragem e derivativos, a formação de preço pode refletir estruturas financeiras complexas — e não apenas oferta e demanda spot.
Isso não comprova manipulação do Bitcoin. Mas revela uma nova fase do mercado: mais sofisticada, menos transparente e profundamente integrada a Wall Street.
Conclusão: Fato, Narrativa ou Risco Sistêmico?
Até o momento:
- Não há condenação formal contra a Jane Street Capital
- As alegações no caso Terraform Labs ainda estão em julgamento
- As quedas das 10h carecem de comprovação concreta
- A transparência em derivativos continua limitada
O debate sobre manipulação do Bitcoin expõe um ponto legítimo: a assimetria informacional entre grandes market makers e o investidor comum.
Enquanto não houver disclosure mais amplo sobre exposição líquida nos ETFs de Bitcoin, a dúvida continuará alimentando discussões dentro da comunidade.
E no mercado cripto, narrativa também é força de preço.
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