Executivos da Binance e Coinbase discutem exigências regulatórias, desafios operacionais e o
avanço da adoção institucional durante o lançamento do TokenNation 2026
Durante encontro promovido pelo TokenNation,
executivos de algumas das principais exchanges globais discutiram os impactos das
novas regras para stablecoins e os próximos passos da regulação de ativos digitais no
Brasil.
O painel, mediado pela jornalista Claudia Mancini, reuniu Thiago Sarandy, chefe de
Assuntos Regulatórios e Jurídicos da Binance no Brasil e em El Salvador, e Fábio Plein,
diretor regional para as Américas da Coinbase. Ao longo da conversa, os executivos
analisaram como o avanço regulatório pode influenciar a adoção institucional de
criptomoedas e a relação do setor com governos, empresas tradicionais e investidores.
Entre os principais pontos, destacou-se que o processo regulatório brasileiro vem
sendo construído ao longo de anos de diálogo entre o Banco Central e a indústria, com
participação ativa das empresas do setor. Ainda assim, parte das regras exige
detalhamentos adicionais, o que tem gerado complexidade na implementação.
O novo marco regulatório estabelece, por exemplo, a obrigatoriedade de reports
periódicos às autoridades e limites operacionais, como transações de até US$ 100 mil
em determinados casos, criando desafios práticos para as empresas.
Além disso, questões operacionais ainda não resolvidas, como a execução de
transações acima dos limites estabelecidos e a duplicidade de reportes exigidos por
diferentes órgãos reguladores, aumentam a carga operacional do setor.
Segundo Thiago Sarandy, a estrutura criada pelo Banco Central representa um avanço
relevante, mas levanta preocupações, especialmente para empresas menores.
“De forma geral, a regulação ficou muito completa, mas ao mesmo tempo pesada
quando pensamos em exigências de capital. Quando olhamos para empresas menores,
isso pode ser uma questão de sobrevivência e, consequentemente, pode tirar muitos
players pequenos do setor”.
Sarandy também destacou que o excesso de exigências pode impactar a diversidade do
mercado e reforçou a importância de manter o diálogo aberto com o regulador para
ajustes na implementação.
“O Banco Central pesou na regra de três diretores, algo mais próximo da regra aplicada
a bancos. Nós, como empresa grande, conseguimos manejar, mas existe uma grande
quantidade de empresas pequenas que ainda estão tentando se adaptar. Há produtos
que vendíamos e que agora, por uma questão regulatória, não poderemos mais
oferecer. Quem perde é o usuário, que usava esse produto há sete anos e agora não
conseguirá mais utilizá-lo. O receio regulatório não pode ser tão nocivo a ponto de
afetar o Brasil, que hoje está em quinto lugar em adoção de Web3.”
Para Fábio Plein, o cenário regulatório brasileiro ainda está em construção e exigirá um
período de adaptação por parte das empresas.
“As diversas consultas públicas que o Banco Central realizou ajudaram bastante. Alguns
pontos foram mais restritivos, como em relação a tipos de reports internacionais e
limites de até 100 mil dólares, o que traz certa complexidade operacional. Ainda assim,
no geral, acredito que o cenário é positivo. Temos um processo pela frente e o grande
marco será a adaptação a partir de outubro, quando as empresas terão que submeter
seus registros para que o banco avalie e emita a licença.”
Os executivos também apontaram que temas como derivativos ainda carecem de
avanços regulatórios no Brasil. A ausência de um mercado estruturado limita
estratégias de proteção contra volatilidade, já consolidadas em outros países.
Outro ponto relevante foi a possível taxação de stablecoins. Segundo os participantes, a
medida pode reduzir a atratividade do produto e impactar negativamente a adoção,
caso não seja conduzida de forma equilibrada.
De forma geral, a expectativa é que o ambiente regulatório brasileiro evolua nos
próximos anos com maior integração entre reguladores, instituições financeiras
tradicionais e empresas do setor cripto, definindo com mais clareza o papel de
exchanges, bancos e novas infraestruturas financeiras na economia digital.
Sobre o TokenNation
O TokenNation é um ecossistema brasileiro de inovação digital e tokenização,
conectando líderes de mercado, empresas, educadores e criadores às transformações
que moldam a nova economia.
Criada em 2022 como NFT Brasil, a iniciativa evoluiu para uma plataforma que integra
blockchain, Inteligência Artificial, sustentabilidade e novos modelos de negócios.
Com foco na consolidação do mercado de tokenização e inovação no Brasil, o
TokenNation reúne executivos, empreendedores, startups e especialistas em uma
conferência que combina palestras, experiências imersivas e atividades práticas.
Atuando como ponto de encontro entre o mercado tradicional e a nova economia,
promovendo conexões estratégicas, disseminação de conhecimento e geração de
oportunidades de negócios.
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