A maioria dos analistas e investidores costuma medir o Bitcoin em dólares. No entanto, Oliver L. Velez (@olvelez007), especialista em Bitcoin Intelligence, propôs uma abordagem revolucionária. Em uma análise aprofundada compartilhada no X, Velez inverteu essa relação. Ele precificou o índice S&P 500 em Bitcoin, revelando padrões nunca antes vistos no mercado financeiro.
A metodologia e os achados completos foram detalhados na edição #021 do Bitcoin Intelligence Report, disponível em btcintelligencereport.com. Este relatório, intitulado “The Test of Control” (O Teste do Controle), explora a verdadeira natureza da propriedade em um mundo digital, além de apresentar uma perspectiva única sobre os ciclos de mercado do Bitcoin.
A Essência do Controle: Posse vs. Propriedade em Bitcoin
O Bitcoin Intelligence Report questiona a distinção crucial entre posse e propriedade, um tema central para qualquer entusiasta de cripto. Possuir algo significa ter o item físico ou o acesso imediato. Por outro lado, a propriedade implica o direito de usar, dispor e controlar totalmente esse bem, sem restrições de terceiros.

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Em um exemplo impactante, a publicação descreve quinze indivíduos que detêm mais de cem milhões de dólares em Bitcoin, mas não conseguem gastá-los. Mais de 90% desses fundos nunca saíram do endereço original. Nem um único satoshi chegou a uma exchange, mixer ou comprador. Eles possuem as moedas, mas estão impedidos de usá-las, levantando a questão: em que sentido eles realmente as possuem?
- O caso dos atacantes: O relatório detalha que esses atacantes adquiriram os Bitcoins em 41 minutos. Transformá-los em algo útil provou ser muito mais difícil. Cerca de seiscentas de suas carteiras foram sinalizadas por autoridades, exchanges e empresas de análise. A transparência do blockchain, que permitiu o rastreamento do roubo, agora impede a conversão dos fundos.
- O dilema dos ETFs: A publicação também analisa os compradores de ETFs de Bitcoin, que, na realidade, não possuem Bitcoin. O complexo de ETFs movimentou US$ 865,3 milhões em cinco sessões, com o IBIT da BlackRock respondendo por 80% desse valor. Esses fluxos compram exposição. O acionista possui cotas, enquanto um custodiante detém as moedas sob a estrutura legal do fundo. É uma arranjo diferente, e agora o maior no mercado de Bitcoin, mas não confere propriedade direta.
Além disso, a questão da propriedade se estende à regulação estatal. Duas legislaturas, Rússia e Estados Unidos, abordaram a questão de forma distinta na mesma semana. A Rússia promulgou uma estrutura de trezentas páginas em 4 de agosto. Ela permite que cidadãos russos possuam ativos digitais aprovados, mas proíbe seu uso doméstico. Exportadores, contudo, podem liquidar transações internacionais sem limites. Ou seja, a distinção entre possuir algo e usá-lo foi formalizada em lei.
Enquanto isso, o Senado dos Estados Unidos encerrou os trabalhos sem votar a Lei CLARITY. Isso deixou a indústria sob uma orientação interpretativa que qualquer futura administração pode revogar a qualquer momento. Portanto, as regras são “mantidas” e não “possuídas” pela indústria. Dessa forma, vemos posse sem controle utilizável, exposição sem propriedade, propriedade restrita por lei e um arcabouço legal que ninguém detém completamente.
Bitcoin Medida de Valor: Desvendando o Verdadeiro Ciclo de Mercado
Oliver L. Velez propôs há anos reverter a relação: quando o Bitcoin se torna a medida e todo o resto é medido por ele. Esta perspectiva revela um comportamento do mercado frequentemente ignorado pelos que focam apenas no preço do Bitcoin em dólar.
O S&P 500, precificado em Bitcoin, mostra uma tendência clara de queda há quinze anos. Ele passou de aproximadamente 500 para cerca de 0,1 Bitcoin. Esse gráfico, que precisa ser exibido em escala logarítmica, demonstra que o Bitcoin tem, de fato, superado o índice de ações mais importante do mundo. A maioria das pessoas no mercado financeiro tradicional nunca viu essa representação.
Geralmente, essa linha cai silenciosamente. Ocasionalmente, ela sobe, indicando que o Bitcoin está perdendo terreno. Esses são os períodos de fraqueza do Bitcoin.

O padrão descoberto por Velez é específico: três barras verdes consecutivas de quatro meses, cada uma atingindo uma máxima mais alta do que a anterior. Este fenômeno é raro, tendo ocorrido apenas três vezes em quinze anos, e não anualmente. Essas ocorrências foram marcadores consistentes de fundos de ciclo importantes para o Bitcoin.
As terceiras barras atingiram suas máximas em 14 de janeiro de 2015, 7 de dezembro de 2018 e 22 de novembro de 2022. Nesses momentos, o Bitcoin estava sendo negociado a US$ 171, US$ 3.381 e US$ 16.197, respectivamente. As duas primeiras datas marcaram o fundo do ciclo com precisão. A segunda ocorreu com uma margem de 5,9%, oito dias antes. Esses exemplos demonstram a correlação notável do padrão.
Para exemplificar o impacto, um investidor que comprou em abril de 2015, no fechamento da terceira barra, pagou US$ 236 e viu seu investimento valorizar 90% em doze meses, chegando a US$ 448. De forma similar, quem comprou em dezembro de 2022, a US$ 16.528, observou um retorno de 156% em doze meses, atingindo US$ 42.258.
Velez explica o mecanismo: o Bitcoin é o denominador. Quando essa razão atinge seu pico, o Bitcoin está em seu ponto mais fraco em relação ao S&P 500. Aritmeticamente, isso coincide com a mínima do Bitcoin. A raridade desse padrão de três máximas consecutivas é a verdadeira descoberta, não a mera coincidência. Um novo padrão está em curso, o quarto desde 2011. Sua primeira barra fechou em dezembro, a segunda em abril. A terceira está se formando e será definida em 31 de agosto. Esta barra já superou a máxima da anterior, confirmando a sequência.
Fatores Macroeconômicos e a Resiliência do Bitcoin
O relatório também aborda o contexto macroeconômico atual. Nos últimos doze meses, o mercado enfrentou uma guerra, problemas em rotas de transporte marítimo e uma Reserva Federal (Fed) que manteve as taxas por cinco reuniões consecutivas. Vale destacar que três presidentes regionais discordaram, favorecendo um aumento. Um ato do Congresso americano morreu sem votação, a legislação falhou. Além disso, ocorreu o maior exploit de carteira de hardware na história do Bitcoin, ainda ativo, com quinze atacantes e perdas superiores a cem milhões de dólares.
O complexo de ETFs ficou negativo no ano, drenando aproximadamente oito bilhões de dólares em oito semanas consecutivas. Investidores institucionais venderam em vez de comprar. As mineradoras liquidaram ativos durante a queda. Contudo, o modelo de tesouraria de ativos digitais, que visava institucionalizar a propriedade corporativa de Bitcoin, colapsou como categoria. As empresas venderam moedas para pagar dívidas, financiar recompras ou simplesmente encerrar suas operações.
A média móvel de 200 períodos semanal era de US$ 51.739 há doze meses. Desde então, oito semanas consecutivas fecharam dentro de cinco por cento dessa linha. O preço do Bitcoin se manteve resiliente, inclusive após um mergulho em 3 de agosto para US$ 62.218, que foi rapidamente recuperado na mesma semana. O Bitcoin estava sendo negociado a US$ 65.050 no momento da escrita, acima da média móvel de 200 períodos semanal, retornando ao patamar que havia perdido na semana anterior. Apesar de todos os fatores negativos, o preço não colapsou, mas lateralizou por dois meses.
Análise Editorial Equipe Bitcoin Block
A análise apresentada por Oliver L. Velez e o Bitcoin Intelligence Report ressoa profundamente com a visão libertária e anarcocapitalista do BitcoinBlock.com.br. A distinção entre posse e propriedade, o “teste de controle”, é a essência do que defendemos. Quando o Bitcoin se torna a Bitcoin Medida de Valor, fica evidente a fragilidade do sistema fiduciário.
Em primeiro lugar, o conceito de autocustódia, “not your keys, not your coins”, é inegociável. A vigilância e os impedimentos ao uso de fundos, mesmo por quem os “possui”, demonstram a precariedade da propriedade sem controle direto. A verdadeira liberdade financeira emerge quando o indivíduo detém soberania completa sobre seus ativos, sem depender de intermediários ou de permissões estatais.
Além disso, o gráfico do S&P 500 em Bitcoin é um testemunho irrefutável do poder do mercado livre e do dinheiro forte. Enquanto muitos observadores se fixam na volatilidade do Bitcoin em relação ao dólar, a perspectiva invertida revela uma tendência macroeconômica. O Bitcoin é um ativo que sistematicamente drena riqueza do sistema fiduciário, um sistema inflacionário e propenso à desvalorização. Isso demonstra como a inovação descentralizada supera as estruturas financeiras tradicionais.
Em segundo lugar, a falha do modelo de tesouraria de ativos digitais ilustra um ponto crucial. Tentativas de “institucionalizar” o Bitcoin através de estruturas que replicam o financeiro tradicional frequentemente colapsam sob o peso das leis de mercado. A verdadeira inovação acontece na base, através da adoção individual e da construção de infraestruturas resilientes e descentralizadas. Contudo, intervenções estatais, como as vistas na Rússia e nos EUA, servem apenas para restringir a liberdade econômica e minar a integridade da propriedade individual.
Portanto, a resiliência do Bitcoin diante de crises globais e vendas institucionais corrobora sua proposta de valor. Ele funciona como uma reserva de valor e uma Bitcoin Medida de Valor confiável, operando fora do alcance da manipulação estatal e das ineficiências do sistema financeiro centralizado.
Em resumo, o Bitcoin não é apenas uma criptomoeda. Ele é um paradigma de propriedade, liberdade e uma auditoria pública e matematicamente verificável do que constitui o dinheiro verdadeiro. A ‘máfia’ institucional e estatal, naturalmente, sente inveja desse poder descentralizado que empodera o indivíduo.
Afinal, a transparência e a descentralização do ledger do Bitcoin são suas maiores fortalezas. Elas oferecem uma alternativa ao sistema fiduciário, muitas vezes opaco e sujeito a manipulações. Assim, o Bitcoin se consolida como o único denominador verdadeiramente confiável.
A história nos mostra que a inovação disruptiva não nasce da regulação, mas da livre concorrência. Ela surge da busca por soluções mais eficientes e justas, como é o caso do Bitcoin.

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Conclusão
A reavaliação do S&P 500 em relação ao Bitcoin, proposta por Oliver L. Velez, oferece uma perspectiva transformadora. Ela nos lembra da importância fundamental do controle e da propriedade genuína no mundo dos ativos digitais. Este padrão histórico, agora em sua quarta ocorrência, sugere que o Bitcoin está em um momento decisivo, consolidando-se como uma Bitcoin Medida de Valor insubstituível.
O sistema fiduciário, com sua incessante impressão de dinheiro e controle centralizado, continua a drenar a riqueza de indivíduos produtivos. Por outro lado, o Bitcoin oferece um caminho para a soberania financeira. Continue monitorando esses indicadores e a verdadeira história do dinheiro digital. Afinal, sua liberdade financeira pode depender disso.
Fonte: matéria original em btcintelligencereport.com, compartilhada por @olvelez007 no X.
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