Avanços qualitativos nas contas externas
É fato que as perspectivas de fluxos globais de investimentos permanecem incertas. Estes se ressentem de um quadro de maiores barreiras comerciais, crescentes preocupações fiscais e sobreprecidficações de ativos em economias desenvolvidas. Não por acaso, os fluxos globais de IDE (Investimentos Diretos Estrangeiros) recuaram 6% no primeiro semestre de 2025 frente ao mesmo período de 2024. Nesse contexto, fluxos para economias emergentes demonstram resiliência. Ingressos de IDE no Brasil, particularmente, cresceram 36% na mesma comparação, com destaque de investimentos na indústria química, petroquímica, automobilística, alimentos e comércio. Com isso, o Brasil foi o segundo principal destino de IDE no Mundo no primeiro semestre de 2025, atrás apenas dos EUA e à frente da China, Canadá, Reino Unido, México, França e Alemanha.
Esse aumento de ingressos de IDE vem sendo parcialmente compensado pelos crescentes investimentos de empresas brasileiras no exterior, conforme figura abaixo a esquerda. A expansão de investimentos diretos de empresas brasileiras no primeiro semestre foi superada apenas pelos aumentos de IDE originados na Irlanda, Alemanha e Luxemburgo. Ao se internacionalizarem, empresas brasileiras buscam alternativas frente a barreiras comerciais e complementaridade às suas operações no Brasil, com ganhos de competitividade em mercados globais.
No que se refere aos fluxos de investimento em carteira, nosso Balanço de Pagamentos revela um quadro em transformação, conforme figura acima a direita. Por um lado, recuam as entradas de investimentos em carteira. A recuperação dos investimentos estrangeiros em renda variável são mais do que compensadas por menores aportes estrangeiros em renda fixa. De fato, fluxos globais de investimentos em carteira vêm sendo marcados por maior atração da renda variável global e pela reavaliação da renda fixa. Daí os menores ingressos de investimentos estrangeiros em carteira. Por outro lado, aumentam os investimentos em carteira de brasileiros no exterior. Estes se valem cada vez mais de oportunidades advindas de plataformas de investimentos, antes incipientes.
Em resumo, as contas externas da economia brasileira revelam nossa crescente inserção internacional. É verdade que nosso déficit em transações correntes e o seu financiamento representam desafios crescentes. Mas há avanços na diversificação dos destinos de nossas exportações em resposta a barreiras comerciais. Logramos posição de destaque na atração de IDE, em benefício da nossa absorção de novas tecnologias. Empresas brasileiras, em processo de internacionalização, realizam investimentos no exterior, com reflexos positivos em meio à concorrência global. Além disso, investidores brasileiros acessam mercados de capitais no exterior por meio de plataformas no Brasil. Sem dúvida, avanços qualitativos nada desprezíveis.
Ações de tecnologia ensaiam realização de lucros e investidores reagem com cautela
Na última semana os principais índices acionários operaram em sentidos divergentes, com movimento de realização de lucros nos EUA deflagrado pela percepção generalizada de que o rally da inteligência artificial pode ter se distanciado demasiadamente de seus fundamentos.
O índice Nasdaq caiu 4,1% e o S&P 500 2,5%, enquanto o Ibovespa avançou 2,6% aos ~153,5 mil pontos, renovando suas máximas no ano com ganhos acumulados de 27,6%. O dólar recuou 0,7% frente ao Real, cotado a R$ 5,34 / US$ 1,00.
Nos EUA, os balanços das empresas ficaram em segundo plano frente a incertezas quanto à sustentabilidade dos investimentos em infraestrutura de IA, atualmente na casa de centenas de bilhões de dólares por ano, bem como a incertezas quanto à sua monetização e retorno potencial.
Na frente de indicadores, com o governo americano ainda em shutdown, o destaque ficou com o ADP Employment de outubro, que registrou a criação de 42 mil postos de trabalho, revertendo os 29 mil postos fechados no mês anterior.
A curva de juros americana operou em sentidos mistos na semana passada, com os vértices mais curtos devolvendo prêmios e os vértices longos incorporando prêmios. O vértice de 10 anos fechou a 4,07% (contra 4,08% a.a. na semana anterior), enquanto o índice DXY recuou 0,2% a 99,50. Já o petróleo recuou 1,8% na semana anterior, com o barril do WTI cotado a US$ 59,70.
No Brasil, o IPC-Fipe de outubro foi de 0,27%, abaixo dos 0,65% da leitura anterior, enquanto a Produção Industrial de setembro recuou 0,4% na passagem mensal. Os contratos de juros futuros DI na B3 incorporaram prêmios de forma discreta em todos os vértices.
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