Depois de meses de hype, threads inflamadas no X e previsões otimistas de analistas, o primeiro ETF spot de Dogecoin (GDOG) finalmente estreou nas bolsas reguladas dos Estados Unidos. Mas o resultado não foi histórico — foi um banho gelado de realidade.
Em vez dos esperados US$ 12 milhões em volume no primeiro dia, conforme projetado pelo analista da Bloomberg Eric Balchunas, o ETF negociou apenas US$ 1,4 milhão. Uma estreia quase 90% abaixo do previsto.
Para um produto que tentou vender a narrativa de “Dogecoin finalmente chega ao mundo institucional”, o número deixa uma mensagem clara:
Os memes podem mover a internet — mas não necessariamente Wall Street.
Frase-chave: Dogecoin ETF expõe o limite institucional
O GDOG, agora listado na NYSE Arca, detém cerca de US$ 1,7 milhão em ativos sob gestão, com o NAV fixado em US$ 17,98 por ação.
O contraste com outros ETFs recentes mostra uma hierarquia implícita no apetite institucional:
| Ativo | Volume no 1º Dia |
|---|---|
| XRP ETF | US$ 59 milhões |
| Solana ETF | US$ 56 milhões |
| Dogecoin ETF (GDOG) | US$ 1,4 milhão |
| Rex-Osprey DOGE ETF (set/2025) | US$ 17 milhões |
Mesmo o ETF anterior de Dogecoin — lançado sob uma estrutura regulatória menos atraente — superou o GDOG com folga.
O que isso sinaliza? Simples:
Quando ETFs se afastam de Bitcoin e se aproximam de moedas especulativas, o interesse cai drasticamente.
Bitcoin foi tratado como “ouro digital”.
Ethereum se tornou infraestrutura.
Solana virou tech growth asset.
Dogecoin? Para muitos gestores, ainda é… uma piada com valor de mercado.
Instituições continuam céticas — e talvez com razão
Dogecoin ainda é a 10ª maior criptomoeda do mundo, mas sua volatilidade, ausência de narrativa fundamental clara e origens de meme pesam contra sua adoção institucional.
Mesmo com a base massiva e apaixonada de holders — especialmente varejo — o investidor institucional busca:
- previsibilidade,
- liquidez profunda,
- tese de valor clara,
- e resistência regulatória.
Dogecoin, por enquanto, entrega apenas o último item.
Concorrência crescente: Bitwise entra no jogo
Como se o início fraco já não fosse motivo suficiente para cautela, o mercado ficará ainda mais fragmentado. A Bitwise lançará seu ETF BWOW em 26 de novembro (sim, “wow” — o branding não é coincidência).
O CEO da Bitwise, Hunter Horsley, defendeu o movimento:
“A comunidade Dogecoin tem milhões de membros e merece acesso regulado.”
O problema? Talvez seja uma comunidade — não uma base institucional.
Com dois ETFs disputando o mesmo universo de demanda, o cenário provável é:
- menor liquidez por produto,
- maior competição por captação,
- menor chance de um ETF se tornar referência.
No mercado tradicional, duplicação sem demanda costuma gerar… irrelevância.
Conclusão: o ETF não falhou — apenas revelou o mercado real
A estreia do Dogecoin ETF não foi um desastre técnico. Foi um teste de sobriedade.
O varejo segue com entusiasmo.
As instituições? Elas olham gráficos, não memes.
E a mensagem silenciosa do mercado foi clara:
Dogecoin pode ser um ícone cultural — mas ainda não é um ativo financeiro institucional.
Por enquanto, o GDOG existe.
Mas ainda não convenceu ninguém que importa.
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