O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, acredita que a rede finalmente alcançou o objetivo estabelecido há mais de uma década, quando o projeto foi concebido. Em uma publicação recente, ele afirmou que a atual estrutura do ecossistema Ethereum dentro da stack Web3 agora se alinha de forma consistente com a visão apresentada nos primeiros documentos do projeto.
Segundo Buterin, a combinação entre a transição para proof-of-stake, a evolução do ecossistema e a descentralização das funções críticas da rede permitiu que o Ethereum atingisse sua maturidade como infraestrutura global para aplicações descentralizadas.
Do conceito inicial à arquitetura real
Quando o Ethereum foi idealizado em 2014, a ambição ia muito além de pagamentos digitais. Buterin descrevia a rede como uma alternativa descentralizada à internet tradicional, capaz de suportar:
- Sistemas financeiros globais
- Redes sociais
- Governança digital
- Plataformas de crowdfunding
- Infraestrutura para aplicações sem intermediários
No entanto, durante seus primeiros anos, a maioria das aplicações passou a operar diretamente sobre a camada principal (Layer 1) do Ethereum, provocando congestionamentos, altas taxas de transação e pressão crescente sobre o armazenamento de dados. Esse cenário divergia da arquitetura original, que previa o Ethereum funcionando como camada de liquidação, apoiado por sistemas externos de mensagens e armazenamento, então conhecidos como Whisper e Swarm.
O papel decisivo do proof-of-stake
Para Buterin, a migração do Ethereum para o modelo de proof-of-stake representou um divisor de águas. A mudança solucionou preocupações históricas relacionadas ao consumo energético e criou uma base mais sustentável para o crescimento da rede, além de permitir um novo ciclo de desenvolvimento focado em eficiência e escalabilidade.
Ao mesmo tempo, o Ethereum abandonou a ideia de que toda atividade deveria ocorrer na camada base. A escalabilidade passou a ser responsabilidade de um ecossistema mais amplo, distribuído entre diversas soluções especializadas.
Como o ecossistema completou a visão original
Segundo Buterin, a visão inicial do Ethereum não se concretizou por meio de mudanças contínuas na camada principal, mas sim por meio do avanço paralelo de todo o ecossistema.
As redes de segunda camada (Layer 2) e os projetos de Ethereum Virtual Machine com provas de conhecimento zero (zkEVM) assumiram o papel de escalabilidade antes atribuído ao sharding, viabilizando transações mais rápidas e mais baratas sem comprometer a segurança da rede principal.
Para mensagens e comunicação fora da cadeia, a rede Waku surgiu como sucessora funcional do projeto Whisper. No campo do armazenamento, o InterPlanetary File System (IPFS) tornou-se um dos pilares da infraestrutura descentralizada, ainda que o arquivamento permanente de dados continue sendo um desafio técnico relevante.
Privacidade, identidade e o conceito de Ethereum “ossificado”
Buterin destacou que o Ethereum preservou sua arquitetura pseudônima, permanecendo amplamente desconectado dos sistemas de identidade da Web2. Ferramentas de privacidade, como o Railgun, ampliaram a proteção ao anonimato das transações, enquanto mecanismos seletivos de blacklisting de carteiras surgiram como tentativa de equilibrar privacidade e exigências regulatórias.
O cofundador também apresentou o conceito de um Ethereum “ossificado” — uma rede suficientemente estável para operar por décadas sem depender de atualizações disruptivas frequentes. As mudanças mais recentes do protocolo têm priorizado melhorias para as soluções de segunda camada, reforçando a ideia de que a evolução futura do Ethereum será conduzida majoritariamente pelo ecossistema, e não por transformações radicais na camada base.
Atividade, adoção e maturidade da rede
Apesar das transformações estruturais, o Ethereum continua apresentando altos níveis de atividade. O número diário de carteiras ativas permanece próximo dos picos recentes, sustentado por:
- Liquidez profunda
- Crescimento consistente do número de validadores
- Forte base de investidores de longo prazo
A rede segue como principal infraestrutura para DeFi, emissão de stablecoins, sistemas de empréstimos, mercados de derivativos e negociações on-chain. Paralelamente, as redes de segunda camada enfrentam o desafio contínuo da fragmentação de liquidez, uma das últimas grandes barreiras para uma experiência de usuário totalmente integrada.
Conclusão: a Web3 deixou de ser promessa
Na avaliação de Buterin, as promessas iniciais do Ethereum deixaram de ser teóricas. A infraestrutura necessária para uma internet descentralizada já está em operação. O setor avança menos guiado por narrativas especulativas e cada vez mais orientado por sistemas que entregam, silenciosamente, aquilo para o que foram projetados.
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