Iniciativa entre a primeira bolsa de ação climática do Brasil e a RCGI-USP Carbon Registry projeta impactar 5,3 milhões de hectares e beneficiar 108 mil famílias
A B4, primeira Bolsa de Ação Climática do país, acaba de anunciar uma parceria estratégica com a RCGI-USP Carbon Registry, registradora de créditos de carbono da Universidade de São Paulo (USP). O acordo estabelece uma nova camada técnica no padrão de acreditação dos ativos da B4, consolidando critérios científicos, metodológicos e de mensuração de impacto rigorosos para o mercado de ativos sustentáveis.
Diferente das metodologias internacionais, a RCGI-USP Carbon Registry foca em soluções adaptadas à realidade brasileira. As métricas incorporam as especificidades da Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica, além das cadeias industriais nacionais — aspectos frequentemente pouco contemplados em padrões globais.
“A integração com uma registradora de base científica – sendo ela a Universidade de São Paulo – garante que o capital e a regeneração caminhem juntos sob o conceito de Finanças Regenerativas (ReFi)”, afirma Odair Rodrigues, CEO e fundador da B4. Para o Diretor Científico do RCGI, Julio Meneghini, que integra a diretoria executiva da RCGI-USP Carbon Registry, metodologias científicas robustas são a chave para a credibilidade do setor. “A transição para uma economia de baixo carbono exige mecanismos confiáveis de registro, transparência e regras claras para o mercado. Também é fundamental desenvolver metodologias adaptadas aos biomas e aos sistemas produtivos brasileiros, porque isso amplia o conjunto de ativos que podem gerar créditos de carbono e contribui para valorizar os créditos produzidos no país”, ressalta Meneghini.
Um dos pilares da parceria é a atuação junto à Confederação União da Agricultura Familiar do Brasil (CONFAF BRASIL) no projeto Rota do Babaçu, voltado à bioeconomia de escala global. Esta iniciativa visa a certificação e o aproveitamento integral do coco babaçu, transformando o “diamante verde” em ativos ambientais de alto valor para combater a pobreza rural e as mudanças climáticas.
A abrangência do projeto é massiva: alcança uma área de ocorrência de 100 milhões de hectares distribuídos em 14 estados brasileiros, com uma produção anual estimada em 250 milhões de toneladas. A operação cobre o Nordeste(Maranhão, Piauí, Ceará e Bahia), o Norte (Tocantins, Pará, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia) e o Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás).
Sandra Aguiar, diretora da Confaf, salienta: “Nosso trabalho se destina a preservação das florestas, e de impacto social. Todos os projetos da Confaf tem como finalidade gerar renda e emprego, além de manter a tradição de quem está nesses territórios. O Rota do Babaçu e posteriormente, o Agente de Combate à Mudanças Climáticas, nossa função é além de preservar e educar, proteger os biomas e as riquezas das florestas”.
Inovação em metodologias agrícolas e transparência
A parceria também viabiliza a estruturação de projetos de grande escala em agricultura sustentável, como a metodologia baseada em integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), atualmente em fase final de desenvolvimento, que servirá de referência para créditos vinculados a práticas regenerativas.
A B4 já conta com R$ 3,35 bilhões em ativos sustentáveis sob custódia e cerca de 25,2 milhões de toneladas de carbono na plataforma. Além do rigor técnico, a parceria utiliza o mecanismo CCB-SS (Clima, Comunidade, Biodiversidade, Ciência & Social), que destina parte dos créditos ao financiamento de pesquisas científicas e projetos socioambientais, garantindo que o impacto vá além da descarbonização.
Sobre a B4:
A B4 é uma bolsa de ação climática voltada à negociação e à custódia de créditos de carbono e outros instrumentos ligados à descarbonização, estruturando mecanismos de mercado para conectar projetos sustentáveis a investidores e empresas que buscam cumprir metas climáticas.
Sobre a RCGI-USP Carbon Registry:
Startup vinculada ao Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) da Universidade de São Paulo (USP) — um dos principais centros de pesquisa do país dedicados à transição energética e à redução de emissões —, a iniciativa é a primeira registradora nacional de créditos de carbono associada a uma universidade pública. Combina governança independente e rigor científico, com metodologias desenvolvidas para a realidade brasileira — considerando as especificidades dos biomas e da estrutura produtiva do país — e alinhadas a padrões internacionais do mercado de carbono. O modelo também inclui o mecanismo CCB-SS (Clima, Comunidade, Biodiversidade, Ciência & Social), que destina parte dos créditos a um fundo voltado ao financiamento de pesquisas científicas e projetos socioambientais.
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