O fim de uma era para as fintechs: da disrupção à maturidade
Por Victor Papi, General Manager da Transfeera
Durante mais de uma década, a chamada “fintechização” transformou o mercado financeiro no Brasil. Empresas de finanças nativas digitais trouxeram novos modelos de negócio. Além disso, elas reduziram barreiras de entrada, ampliaram o acesso a serviços financeiros e colocaram a inovação no centro da competição. O resultado foi um ecossistema mais dinâmico, versátil e conectado às necessidades de consumidores e empresas.

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Segundo levantamento da A&S Partners, o número de fintechs em operação no Brasil passou de 1.158, em 2020, para 2.048 em 2025. Isso representa um crescimento de 77%. Além disso, o avanço não ficou restrito à quantidade de empresas. O volume de crédito concedido pelas fintechs analisadas pela PwC e pela Associação Brasileira de Crédito Digital também apresentou uma alta de 68% em 2025 em relação ao ano anterior.
Mas, como de costume, todo ciclo de expansão chega a um ponto de inflexão. Atualmente, é justamente o que começa a acontecer com as fintechs.
O Ponto de Inflexão das Fintechs
O setor entra em uma fase em que crescer já não é suficiente. Por isso, é preciso construir negócios sustentáveis, capazes de atravessar ciclos econômicos, administrar riscos e gerar eficiência. A inovação continua sendo indispensável. Contudo, ela deixa de ser um fim em si mesma. Ela precisa caminhar ao lado de governança, controles internos, segurança, conformidade regulatória e disciplina financeira.
A evolução das regulações do Banco Central, como a do Banking as a Service, tem um papel importante nessa mudança. Afinal, as novas exigências elevam a régua para todos. Instituições de pagamento, participantes do sistema financeiro e empresas que oferecem serviços financeiros passam a ficar niveladas, reforçando estruturas de governança, gestão de riscos, segurança e responsabilização.
Isso não significa frear a inovação, mas sim, criar condições para que ela seja sustentável. Na prática, as fintechs que pretendem ocupar um espaço relevante no próximo ciclo de evolução precisarão fazer escolhas.
Algumas buscarão escala por meio de alianças estratégicas e integração com instituições tradicionais. Por outro lado, outras investirão na especialização em nichos nos quais conseguem oferecer uma experiência superior. Haverá, ainda, aquelas que concentrarão esforços em tecnologia, automação e inteligência artificial. O objetivo é reduzir custos e aumentar produtividade.
A Maturidade e as Escolhas do Setor
A própria evolução recente do setor mostra esse movimento. Na pesquisa da PwC referente a 2024, 52% das fintechs participantes investiram em inovação de produtos. Enquanto isso, 46% utilizavam capital próprio como principal fonte de financiamento. A edição mais recente da pesquisa, com dados de 2025, aponta que 51% utilizavam capital próprio como principal fonte de financiamento. Além disso, 96% pretendiam implementar ou ampliar soluções de inteligência artificial nos dois anos seguintes.

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Estamos, portanto, diante de uma mudança de paradigma. A primeira onda das fintechs foi marcada pela capacidade de desafiar o modelo tradicional. A próxima será marcada pelo amadurecimento. Ou seja, ela será marcada pela capacidade de permanecer relevante dentro de um sistema financeiro cada vez mais integrado, regulado e eficiente.
Talvez seja esse o verdadeiro fim da fintechização. Não é o fim das fintechs, mas o fim da ideia de que ser digital e inovador, por si só, basta. O próximo capítulo será menos sobre quantas fintechs existirão. Será mais sobre quais delas conseguirão transformar inovação em negócios sólidos, confiáveis e duradouros. E essa é, para todo o sistema financeiro, uma evolução positiva que deve ser bem aproveitada.
Minibio do porta-voz
Victor Papi é General Manager da Transfeera, empresa da PayRetailers e Instituição de Pagamento (IP) especializada em soluções de pagamentos para empresas. Ele é formado em Engenharia de Produção pela FEI e Pós graduado em Gestão de Negócios pelo Insper. Com 10 anos de experiência no mercado financeiro, Papi liderou a frente de automação e melhoria de processos do Itaú. Ele também idealizou as frentes de novos produtos da Porto Seguro, construiu a força de vendas da Cielo com contratação de pessoas jurídicas, e esteve à frente da área de Operações do Bankly. Foi também Diretor de Receita, Produto e Operações na Transfeera antes de assumir o cargo principal da empresa.
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