Quanto mais tempo passo no mundo cripto, mais ele me lembra algo muito mais antigo que a internet: a governança tribal. O mundo das criptomoedas não é uma nação com um único governante. É uma floresta cheia de tribos, cada uma com sua própria língua, regras, líderes e crenças. E como qualquer floresta, nem toda tribo sobreviverá.
Sou brasileira e visito a Bahia todos os anos. Também tive o privilégio de estar em contato com o povo Yanomami. Essas experiências me ensinaram que as tribos não estão congeladas no passado. Elas são comunidades vivas e soberanas que tomam decisões sobre seu futuro todos os dias, o que é exatamente o que estamos tentando construir no mundo cripto.
Três pilares de uma tribo viva
Os projetos que durarem mais se parecerão com sociedades tribais fortes, construídas sobre três pilares:

Captain’s Club: Networking Blockchain
Captain’s Club é um clube de networking da indústria Blockchain que conecta CEOs e especialistas no Brasil, América Latina, Europa e EUA.
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- Soberania:
o projeto controla seu próprio território, seu código, seu tesouro e seu futuro. - Autogovernança:
as decisões vêm de dentro, através de suas próprias regras e de seus próprios conselhos. - Controle da comunidade:
as pessoas que vivem no ecossistema têm uma voz real sobre seu rumo.
Projetos construídos sobre esses pilares, os verdadeiramente descentralizados, são os que ainda estão vivos hoje. São também os que melhor conseguem “estourar” neste ecossistema em desenvolvimento. Projetos sem controle da comunidade sobreviverão de forma diferente: como ferramentas, usadas por muitas outras tribos, mas nunca verdadeiramente governadas por seu próprio povo.
Maxis serão maxis
Toda floresta tem tribos que escolhem permanecer separadas. Maximalistas de Bitcoin podem optar por nunca se misturar com outras tribos, guardando seu território e suas tradições. Esse é o direito deles, e há força nisso.
Outras pessoas se moverão livremente para dentro e para fora do ecossistema Bitcoin, mergulhando em novos tokens para usabilidade, negociação, construção e trazendo de volta o que aprendem.
Lições da Amazônia
A Amazônia nos mostra todos os caminhos:
- As tribos que escolhem o isolamento.
O Vale do Javari, no Brasil, abriga mais povos não contatados do que quase qualquer outro lugar na Terra. Eles protegem seu modo de vida permanecendo isolados, como os maximalistas mais puros. Sua sobrevivência depende da proteção de seu território. Em 2011, a FUNAI do Brasil divulgou fotos aéreas raras de um desses grupos isolados (
veja as fotos no The Week
, crédito: Gleison Miranda/FUNAI/Survival). - As tribos que adotam novas ferramentas mantendo sua identidade.
Os Paiter Suruí, liderados pelo Cacique Almir Suruí, fizeram parceria com o Google Earth para mapear suas terras e expor o desmatamento ilegal, e mais tarde criaram um projeto de carbono florestal. Eles usaram novas tecnologias para defender sua soberania, não para entregá-la. Isso é exatamente o que as melhores comunidades cripto fazem. - As tribos que se organizam e falam por si mesmas.
Povos como os Kayapó ficaram famosos por levar suas próprias câmeras e sua própria voz ao mundo. Na linguagem das criptomoedas, eles gerenciavam sua própria governança e sua própria mídia.
Sobrevivência do mais apto, e dos que evoluem
No final, tudo se resume à sobrevivência do mais apto. E os mais aptos não são os mais fortes ou os mais barulhentos. São as tribos que conseguem evoluir com a tecnologia ao longo do tempo, sem perder sua alma.
A pergunta para cada projeto e cada detentor é: qual tribo você está construindo, e ela ainda estará de pé quando a floresta mudar?
Minhas opiniões são minhas e não constituem aconselhamento de investimento.
Fontes: Cacique Almir e a tribo Suruí (Google) · Google ajuda a proteger a floresta amazônica (Mongabay)

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Publicado originalmente em mammycrypto.com


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A ponte entre o cripto e quem fala português.
Michelle Mafra · MammyCrypto. Escritora, criadora de conteúdo e especialista em marketing blockchain, em português e inglês. Entusiasta do Litecoin desde o início, testa apps e plataformas na prática e conta no blog o que funciona, em linguagem simples. Autora do livro Guia Litecoin (LTC).





