Para Pedro Xavier, tratar os dois como opostos é ignorar que ambos expõem a mesma fragilidade do sistema financeiro e respondem aos mesmos ciclos de risco, escassez e política monetária
Tratar ouro e bitcoin como opostos é confortável, mas é uma comparação rasa. Enquanto um é rotulado como ativo do passado e o outro como aposta do futuro, ambos seguem reagindo aos mesmos choques macroeconômicos, às mesmas decisões de política monetária e ao mesmo medo estrutural de perda de valor do dinheiro. A disputa entre tradição e inovação ajuda a criar narrativas, mas atrapalha a compreensão de por que investidores de perfis tão distintos acabam, na prática, enfrentando riscos muito parecidos.
Nos últimos anos, especialmente entre 2025 e o início de 2026, os metais preciosos passaram por movimentos que desmontaram a ideia de estabilidade absoluta. Ouro e prata enfrentaram correções abruptas, sessões de forte realização e recuperações rápidas, muitas vezes motivadas por mudanças na política monetária dos Estados Unidos e pelo reposicionamento de investidores institucionais. Para quem acompanha o mercado cripto, esse comportamento é tudo menos estranho.
Pedro Xavier, CEO da Mannah, avalia que essa aproximação de dinâmica costuma ser ignorada no debate público. “Existe uma percepção equivocada de que o ouro é linear e o bitcoin é caótico. Na prática, ambos são ativos escassos reagindo ao mesmo ambiente macro, com volatilidade elevada, correções abruptas e ciclos emocionais muito semelhantes”, explica.
O principal argumento dos defensores do ouro segue sendo o histórico. O metal atravessou guerras, crises cambiais, colapsos bancários e mudanças de regime sem perder seu papel como proteção patrimonial. O bitcoin, apesar de já ter superado diversos ciclos de descrédito, ainda carrega o rótulo de ativo jovem, exposto a riscos regulatórios e a mudanças tecnológicas. Para os bitcoiners, no entanto, essa juventude é justamente o diferencial.
Na leitura de Pedro Xavier, a discussão entre antigo e novo desvia o foco do que realmente importa. “O investidor de ouro e o investidor de bitcoin estão tentando responder à mesma pergunta: ‘Como preservar valor em um sistema baseado em dívida crescente e decisões monetárias imprevisíveis?’. A diferença está no formato do ativo, não na motivação”.
Outro ponto de convergência está na forma como esses mercados reagem à política monetária. Juros reais mais altos costumam pressionar tanto o ouro quanto o bitcoin, enquanto expectativas de flexibilização reacendem a busca por ativos escassos. Em ambos os casos, períodos de euforia levam a excesso de alavancagem e fases de correção funcionam como um processo de limpeza do mercado, redefinindo preços e narrativas.
“Em mercados onde quase tudo pode ser expandido, impresso ou diluído, ouro e bitcoin se destacam por impor um limite claro. A escassez é o que sustenta o valor dos dois, porque retira do sistema a possibilidade de criação arbitrária e devolve previsibilidade ao investidor. É esse ponto que torna ativos físicos e digitais comparáveis, apesar de suas diferenças estruturais”, analisa Xavier.
Nos últimos anos, essa convergência ganhou um elemento novo. Países que tradicionalmente mantinham reservas quase exclusivamente em ouro passaram a considerar o bitcoin como parte de suas estratégias de reserva, ainda que em proporções pequenas. Esse movimento sinaliza uma mudança estrutural no debate sobre soberania monetária e diversificação de ativos de reserva.
Para o CEO esse ponto é simbólico. “Quando governos começam a discutir bitcoin no mesmo contexto do ouro, fica claro que o ativo deixou de ser apenas especulativo. Ele passa a integrar uma lógica de proteção e diversificação que antes era exclusiva dos metais preciosos, é a consolidação do setor cripto”.
No fim, a oposição entre ouro, prata e bitcoin perde relevância quando o foco deixa de ser a torcida por um ativo específico. Em um ambiente marcado por incerteza macroeconômica, ciclos de juros instáveis e choques recorrentes de confiança, a diversificação se torna mais importante do que a afinidade pessoal com este ou aquele instrumento. Variar investimentos, combinar ativos com dinâmicas distintas e reconhecer que nenhum deles é uma solução única passa a ser uma estratégia de preservação de patrimônio mais sólida do que escolher lados em um debate que, na prática, já deixou de ser binário.
“O ponto central não é gostar de ouro, de bitcoin ou de qualquer outro ativo. O que realmente protege patrimônio ao longo do tempo é a capacidade de diversificar e aceitar que diferentes instrumentos cumprem papéis complementares em cenários de risco”, finaliza Pedro.
Saiba mais sobre a Mannah: Fundada por Pedro Xavier e Christian Aranha, a Mannah é uma startup especializada em tecnologia Blockchain. A empresa tem como objetivo descomplicar a blockchain e mostrar ao mercado que ele vai além das criptomoedas – o ativo mais conhecido dos brasileiros – e democratizar o acesso a esta tecnologia, que tem potencial para transformar o mercado financeiro. A Mannah viabilizou, em parceria com a Hathor e a Acura, a tokenização de R$1 bilhão em precatórios, se tornando o maior RWA (ativos do mundo real) tokenizado na América Latina. Saiba mais em: https://www.mannah.io/
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