Para o economista Charles Mendlowicz, a escalada do conflito entre Israel, EUA e Irã acende um alerta nos mercado
O acirramento das tensões no Oriente Médio, após ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguidos de contra-ataques iranianos a países vizinhos, colocou os mercados globais em estado de alerta máximo. O cenário de incerteza geopolítica provocou uma corrida imediata para ativos de proteção tradicionais, como o ouro, enquanto o mercado de criptoativos experimentou volatilidade acentuada.
Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o movimento dos preços na última sexta-feira já sugeria que o mercado antecipava o conflito. “O mercado sempre sabe o que está acontecendo. Provavelmente já tinha gente sabendo dessa guerra e, nessa sexta-feira, os mercados dispararam, com ouro e prata subindo muito”, acredita Mendlowicz.
Ouro e petróleo seguem tendência de alta
O ouro, porto seguro histórico em tempos de guerra, rompeu, no último dia 27, a barreira dos US$ 5.200 por onça-troy. A prata para março também registrou forte alta de 6,53%, fechando a US$ 92,68 por onça-troy na última sessão da semana.
O petróleo Brent também seguiu a tendência de alta: chegou a US$ 83,79 por barril no último dia 03, com perspectiva de superar US$ 100 na esteira da escalada do conflito no Oriente Médio. Mendlowicz destaca que a manutenção dos preços da commodity acima de patamares mínimos não é coincidência: “As empresas de petróleo e o lobby não deixam o petróleo cair muito perto dos US$ 60. Dito e feito: subiu”.
Bitcoin: liquidez e oportunidade na diversificação
Diferente dos mercados tradicionais que fecham aos finais de semana, o mercado cripto serviu como a principal válvula de escape para investidores que buscavam caixa imediato diante do início da guerra. O Bitcoin, em particular, chegou a tocar os US$ 63 mil antes de ensaiar uma rápida recuperação para o patamar dos US$ 67 mil.
Charles reforça que a volatilidade momentânea não anula a tese do ativo e destaca sua relevância prática por ser um dos ativos mais líquidos do mundo: “Você não consegue vender uma ação aos sábados e domingos, por exemplo, mas consegue fazer isso com Bitcoin, que tem liquidez 24×7. Na hora em que o ‘bicho pega’, as pessoas sacam para ter liquidez”.
A análise reforça a tese de Mendlowicz sobre a importância de manter criptoativos no portfólio, especialmente via plataformas reguladas. Dentro da estratégia de diversificação de risco, o aporte em cripto é visto pelo economista como essencial para a resiliência da carteira a longo prazo.
Emergentes em crise: Brasil vira refúgio para o capital externo
Apesar do cenário externo conturbado, o Ibovespa fechou fevereiro próximo aos 190 mil pontos, acumulando ganho de 17% no início do ano o melhor desempenho para o período desde 1999. Segundo Mendlowicz, essa performance não se deve a fatores internos, mas à falta de alternativas viáveis para o capital estrangeiro nos mercados emergentes.
“O investidor olha no mapa e vê que a Turquia é uma ditadura, que a África do Sul está quase em guerra civil, que o México é um narcoestado, vê Rússia e China e não enxerga confiança. No Brasil, há corrupção e questões no Judiciário, mas os problemas são menores do que os dos outros, e a bolsa está muito barata”, analisa Mendlowicz.
Momento exige cautela
O economista demonstra preocupação com a política fiscal brasileira, citando os recorrentes aumentos de impostos (27 vezes em três anos, segundo seus cálculos) e o risco de novas taxações sobre investimentos isentos como CRI, CRA, LCI e LCA.
Para o investidor, o momento exige cautela e diversificação internacional. “O governo está desesperado para arrecadar, e isso é ruim para o país. Ele deve vir em cima da classe média de novo, querendo subir impostos e taxar dividendos”, alerta Charles Mendlowicz, que aponta como caminho o posicionamento em ativos que ofereçam proteção contra a voracidade fiscal interna e a instabilidade geopolítica externa.
Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.
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