Análise do Bitcoin
Entre 1 e 19 de março de 2026, o Bitcoin reagiu a uma sequência de eventos que começou fora do mercado cripto e foi gradualmente transmitida para dentro dele.
A dinâmica dos ETFs sustentou o preço do Bitcoin e evitou quedas abruptas, mantendo a diferença percentual entre a mínima e a máxima em 16,8% na primeira quinzena, com máxima em US$ 76.000 e mínima em US$ 65.056.
A retomada consistente de entradas via ETFs spot gerou um fluxo comprador relevante, que sustentou a alta no início do mês e absorveu a oferta, enquanto o ambiente macro ainda estava favorável ao risco.
Os ETFs spot foram o principal driver de fluxo no período. Entre 2 e 18 de março, registraram cerca de US$ 1,53 bilhão em entradas líquidas, com sete pregões consecutivos de inflow que sustentaram a recuperação do preço até a metade do mês.
Esse suporte começou a enfraquecer quando o ambiente macro apertou. No dia 18/03, os ETFs registraram saída líquida, indicando sensibilidade do fluxo institucional às condições financeiras.
O movimento teve início com a escalada do conflito envolvendo o Irã e a infraestrutura de energia, que pressionou o preço do petróleo e elevou a incerteza sobre a inflação global.
Na sequência, o mercado cripto foi impactado pela reprecificação macro, especialmente via juros e inflação. Na reunião do FOMC, também em 18/03, o Fed manteve as taxas inalteradas, mas revisou para cima a projeção de inflação para 2026, de 2,5% para 2,7%.
Com dados macroeconômicos mais fracos e risco inflacionário mais elevado, a narrativa de cortes de juros perdeu força. O mercado passou a reprecificar o custo de capital, fortalecendo o dólar e elevando os yields das Treasuries de 10 anos, que subiram cerca de 30 pontos base no mês, para 4,25%.
Esse movimento, como de costume, pressionou ativos de risco e passou a condicionar o comportamento do Bitcoin ao fluxo macro.
No dia 18, o BTC atingiu máxima do dia em US$ 74.672, mas perdeu força ao longo do dia e fechou o intradiário na mínima de US$ 70.500 – uma desvalorização de 5,5%.
Neste momento, o Bitcoin oscila em um range. Em caso de nova queda, os principais suportes estão em US$ 63.900 e US$ 53.300.
Se houver retomada da força compradora, o preço pode buscar as resistências em US$ 75.800 e US$ 85.000, onde há maior concentração de oferta.
Análise do Ethereum
O Ethereum perdeu força após testar a resistência dos US$ 2.360, em meio ao enfraquecimento do fluxo comprador, ao ambiente macro mais restritivo e à perda de tração do Bitcoin.
Enquanto o ativo permanecer abaixo da resistência, os próximos alvos que atuarão como suportes estão nas faixas de preços de US$ 1.745 e US$ 1.665.
Análise da Solana
A Solana ensaiou uma recuperação após a mínima recente, mas perdeu força com o enfraquecimento do fluxo comprador e a dependência do movimento geral do mercado.
Sem conseguir sustentar mais avanços acima de zonas de oferta, o preço pode retomar a baixa e buscar as regiões de liquidez dos US$ 67,00 e US$ 57,00, que servirão como suporte para o preço.
As resistências de curto e médio prazo estão em US$ 100,00 e US$ 120,00. Enquanto permanecer abaixo das resistências, o ativo segue sob pressão vendedora, limitando a continuidade da alta no curto prazo.
Ana de Mattos
Analista Técnica e Trader Parceira da Ripio


