Atualizado em 28 de outubro de 2026.
Hard fork é uma mudança nas regras de uma blockchain que não é compatível com as versões anteriores: quem não atualiza o software deixa de reconhecer os novos blocos. Se parte da rede se recusa a seguir a mudança, a blockchain se divide em duas e pode nascer uma nova criptomoeda, como aconteceu com o Bitcoin Cash em 2017. Já o soft fork é uma mudança compatível, que não obriga todos a atualizar e normalmente não divide a rede.
O que é um fork em blockchain
Uma blockchain é uma cadeia de blocos ligados entre si, em que cada bloco registra transações e aponta para o anterior. Todos os participantes da rede seguem o mesmo conjunto de regras para validar esses blocos. Um fork (“bifurcação”, em inglês) acontece quando essas regras mudam ou quando parte da rede passa a seguir regras diferentes. Se os dois grupos continuarem produzindo blocos, a cadeia se divide em dois caminhos a partir de um mesmo bloco.

Por que os forks acontecem
- Atualizações de protocolo: novos recursos ou melhorias de desempenho. Nesse caso, a regra muda a partir de um bloco definido, sem necessariamente dividir a rede.
- Divergências na comunidade: desacordo sobre a direção do projeto. Parte da comunidade segue um caminho e a outra parte segue outro.
- Correções de segurança: resposta a falhas graves, que podem exigir mudanças grandes nas regras.
- Experimentação: criação de uma nova rede a partir do código ou do histórico de outra para testar ideias.
O que é hard fork
No hard fork, as novas regras são incompatíveis com as antigas. Um exemplo é aceitar blocos maiores do que o limite anterior: os nós que não atualizaram consideram esses blocos inválidos. Por isso, em um hard fork todos os participantes precisam atualizar. Quando a maioria atualiza e o restante abandona a versão antiga, a rede segue unida. Quando um grupo relevante decide continuar com as regras antigas, surgem duas cadeias permanentes e duas moedas.
O que é soft fork
No soft fork, as novas regras são mais restritivas, mas os blocos produzidos continuam válidos para quem usa o software antigo. Basta que a maioria do poder de validação adote a mudança para ela valer. Nós desatualizados continuam funcionando, só não aproveitam os novos recursos. Se uma minoria insistir nas regras antigas, pode ocorrer uma divisão temporária (chain split), que normalmente desaparece porque a cadeia com mais poder computacional prevalece.
Diferença entre hard fork e soft fork
- Compatibilidade: o soft fork é compatível com versões anteriores; o hard fork não é.
- Atualização: no soft fork só a maioria dos validadores precisa atualizar; no hard fork, todos os nós.
- Risco de divisão: baixo no soft fork; alto no hard fork quando não há consenso.
- Nova moeda: o soft fork não cria moeda nova; o hard fork contestado pode criar.
Exemplos de hard fork e soft fork
Bitcoin Cash (2017): hard fork contestado
Em agosto de 2017, um grupo de mineradores e empresas defendia blocos maiores para aumentar a capacidade do Bitcoin. Sem consenso, eles fizeram um hard fork que criou o Bitcoin Cash (BCH), com blocos de até 8 MB. Quem tinha BTC no momento da divisão recebeu a mesma quantidade em BCH. Em 2018 o próprio Bitcoin Cash passou por outra divisão, que deu origem ao Bitcoin SV. O BCH segue negociado até hoje; em 2026 ele ganhou, por exemplo, contratos futuros na CME.
Ethereum e Ethereum Classic (2016): hard fork após o ataque à The DAO
Em 2016 um ataque desviou milhões de ETH do projeto The DAO. A maioria da comunidade aprovou um hard fork para reverter o efeito do ataque, e essa cadeia é o Ethereum atual. Quem discordou da reversão manteve a cadeia original, que passou a se chamar Ethereum Classic (ETC).
Atualizações planejadas do Ethereum: hard forks sem divisão
Nem todo hard fork divide a rede. O Ethereum faz atualizações programadas que, tecnicamente, são hard forks: London (2021), The Merge (2022), Dencun (2024), Pectra e Fusaka (2025). Como praticamente todos os nós atualizam, a rede segue única e nenhum token novo é criado.
SegWit (2017) e Taproot (2021): soft forks do Bitcoin
O Bitcoin prefere soft forks por serem mais conservadores. O SegWit mudou a forma de armazenar as assinaturas e aumentou a capacidade dos blocos; o Taproot melhorou privacidade e eficiência de transações mais complexas. Os dois foram ativados sem dividir a rede. Esse cuidado tem a ver com o modelo de decisão do Bitcoin, que discutimos em governança do Bitcoin e o peso dos mineradores.
O que muda para quem tem a moeda em um hard fork
Se o hard fork for apenas uma atualização com consenso, nada muda para o usuário: as moedas continuam as mesmas. Se houver divisão da rede, quem tinha saldo na carteira no bloco da divisão passa a ter saldo nas duas cadeias. Cuidados práticos:
- Prefira manter as moedas em carteira própria, da qual você controla as chaves, para ter acesso às duas cadeias.
- Verifique se sua corretora vai dar suporte à nova moeda; nem todas creditam.
- Espere a rede estabilizar antes de movimentar, por causa do risco de ataque de repetição (replay attack), em que uma transação feita em uma cadeia é reproduzida na outra.
- Desconfie de sites e carteiras que surgem prometendo “resgatar” a nova moeda: é um golpe comum em forks.
Para saber mais sobre segurança de rede, veja as vulnerabilidades do Bitcoin e como são corrigidas, e acompanhe a categoria Blockchain.
Perguntas frequentes
Hard fork gera moedas novas?
Só quando a rede se divide porque parte da comunidade não aceita a mudança. Nesse caso, quem tinha a moeda original recebe a mesma quantidade da nova, como aconteceu com o Bitcoin Cash. Hard forks com consenso, como os upgrades do Ethereum, não criam moeda nova.
Qual a diferença entre hard fork e soft fork?
O hard fork muda as regras de forma incompatível com versões antigas e exige que todos atualizem, podendo dividir a rede. O soft fork torna as regras mais restritivas, mas mantém compatibilidade, então só a maioria dos validadores precisa atualizar e a rede normalmente não se divide.
O que fazer com minhas moedas num hard fork?
Mantenha as moedas em uma carteira da qual você controla as chaves, acompanhe os comunicados da sua corretora e espere a rede estabilizar antes de movimentar. Nunca digite sua frase de recuperação em sites que prometem liberar a moeda nova.
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