Atualizado em 28 de outubro de 2026.
Stablecoins e CBDCs são duas formas de dinheiro digital, mas com donos diferentes. Stablecoins, como USDT e USDC, são emitidas por empresas privadas e lastreadas em reservas, geralmente em dólar. CBDCs são moedas digitais emitidas pelo próprio banco central, como o Drex no Brasil ou o yuan digital na China. No caso brasileiro, o Drex mudou de rumo: o Banco Central desligou em 2025 a rede de testes em blockchain e reorientou o projeto, sem moeda digital disponível ao público em 2026.
Stablecoins vs CBDCs: as diferenças
- Emissor: stablecoin é emitida por empresa privada; CBDC, pelo banco central.
- Lastro e risco: a stablecoin depende das reservas e da solidez do emissor; a CBDC é uma obrigação direta do banco central, como o papel-moeda.
- Tecnologia: stablecoins circulam em blockchains públicas, como Ethereum, Tron e Solana; CBDCs podem usar ou não blockchain, em redes controladas pelo Estado.
- Alcance: stablecoins circulam globalmente, 24 horas, sem fronteiras; CBDCs são, em geral, de uso doméstico.
- Privacidade: nas stablecoins as transações são públicas na blockchain, mas o emissor pode congelar endereços; nas CBDCs, o principal temor é o nível de controle e monitoramento que o Estado poderia ter.
O que muda com o Drex
O Drex foi apresentado em 2023 como o real digital, com testes em blockchain para tokenizar ativos e liquidar operações entre bancos. Em 2025, o Banco Central concluiu que questões de privacidade e de integração não estavam resolvidas, anunciou uma fase seguinte sem blockchain e sem tokenização e, no fim do ano, desligou a plataforma de testes. A imprensa chegou a noticiar o fim do projeto, enquanto outras fontes falaram em reestruturação. Na prática, em 2026 não existe Drex para o público, e a tokenização no país avança por iniciativas privadas. Veja a análise sobre stablecoins, Drex e o futuro do dinheiro digital.
Stablecoins avançam com regulação
Enquanto as CBDCs andam devagar, as stablecoins ganharam regras próprias: o GENIUS Act, sancionado nos EUA em julho de 2025, e o MiCA, na União Europeia. No Brasil, elas são a principal porta de entrada do mercado cripto; em junho de 2025, por exemplo, o volume de USDT negociado no país subiu 32%. Veja também como as stablecoins viraram uso real na Solana e o crescimento do USDT0 na Polygon.
Análise: a ponte entre o velho e o novo sistema monetário
Por Marcus Vinicius Melo, CEO da Sigma Infinity
O avanço da digitalização da economia tem impulsionado a criação de modalidades de dinheiro eletrônico, destacando-se as stablecoins e as Moedas Digitais do Banco Central (CBDCs, na sigla em inglês). Ambas representam inovações financeiras significativas, mas possuem naturezas, objetivos e impactos distintos no sistema financeiro global.
Desde a criação do Bitcoin em 2009, os ativos virtuais têm contribuído para o desenvolvimento de modelos de negócio no setor financeiro. Além de estimular a competição no setor – em razão das novas startups e fintechs emergentes – o impacto de novas tecnologias nos sistemas monetário tem como consequência a necessidade de aprimoramento da regulação desse mercado.
Assim, a análise a respeito da utilização de stablecoins no Brasil e no mundo se justifica não só pelo rápido crescimento verificado nos últimos anos, mas também pelo olhar atento de reguladores que se debruçam sobre o tema em nível global. No Brasil, também é notável a expansão dos ativos virtuais.
O Brasil no mapa das criptomoedas
Um estudo realizado pela Triple-A em 2025 estima que 26 milhões de brasileiros possuam algum tipo de criptomoeda, posicionando o país como o sexto no ranking global de usuários de criptoativos, sendo um dos maiores mercados de criptomoedas do mundo – e desempenha um papel fundamental na América Latina.
As stablecoins são criptomoedas emitidas por entidades privadas, como empresas ou consórcios, e geralmente lastreadas em ativos tradicionais, como moedas fiduciárias (por exemplo, dólar americano) ou commodities. Exemplos incluem o Tether (USDT) e o USD Coin (USDC). Já as CBDCs, moedas digitais emitidas e reguladas diretamente pelos bancos centrais de cada país, representando uma versão digital da moeda nacional, como o DREX. Elas são parte da política monetária oficial e têm lastro na confiança do governo.
Estas stablecoins foram criadas para oferecer estabilidade de preço em relação a ativos tradicionais, facilitando transações no ecossistema cripto e servindo como ponte entre o mundo financeiro tradicional e o descentralizado. Já as CBDCs visam modernizar o sistema monetário, aumentar a eficiência dos pagamentos, promover a inclusão financeira e fortalecer o controle monetário pelos bancos centrais.
Dois lados da mesma moeda
Tanto stablecoins quanto CBDCs podem reduzir custos e tempo nas transações, especialmente em pagamentos internacionais e remessas, eliminando intermediários e agilizando processos. No fim das contas, stablecoins e CBDCs representam dois lados da mesma moeda no que diz respeito à digitalização do dinheiro. Enquanto as stablecoins surgiram como uma solução privada para problemas de volatilidade e eficiência no ecossistema cripto, as CBDCs são uma resposta dos bancos centrais à necessidade de modernização e controle monetário.
Ambas trazem benefícios significativos, como maior eficiência e inclusão financeira, mas também apresentam riscos que precisam ser cuidadosamente gerenciados, especialmente no que diz respeito à estabilidade financeira global, privacidade e soberania monetária.
O blockchain é a base tecnológica das duas, com foco em transparência e descentralização. À medida que essas tecnologias evoluem, a colaboração entre governos, órgãos reguladores e setor privado, será essencial para garantir que os benefícios sejam maximizados e os riscos mitigados, promovendo um sistema financeiro global mais inclusivo, eficiente e seguro.
Perguntas frequentes
Drex é uma stablecoin?
Não. O Drex foi pensado como uma CBDC, ou seja, uma moeda digital emitida pelo Banco Central, e não por uma empresa privada. Além disso, em 2026 ele não está disponível ao público: o Banco Central desligou a rede de testes em blockchain em 2025 e reorientou o projeto.
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