*Por Evandro Rodrigues, CEO da BE, A Moradia do Futuro
O mercado imobiliário brasileiro está vivenciando uma transformação significativa. Depois de anos de discussões teóricas e projetos piloto, o Brasil está finalmente criando as condições para que a tokenização imobiliária ganhe escala a partir de 2026. Vemos uma evolução consistente em duas frentes: a regulatória e a de mercado.
No campo jurídico, regulamentações recentes do COFECI e dos CRECIs começam a reconhecer a comercialização de propriedades digitais por corretores de imóveis. Esse avanço aproxima o país de um entendimento mais alinhado ao que já acontece no mercado global, onde os tokens imobiliários são classificados como real world assets e, portanto, tratados como imóveis e não como valores mobiliários sob regulação direta da CVM.
Essa distinção é fundamental. Ao reconhecer tokens imobiliários como ativos reais e não como produtos financeiros tradicionais, o Brasil remove uma camada de complexidade regulatória que até então dificultava a expansão do setor. Corretores de imóveis, profissionais que conhecem profundamente o mercado, passam a ter legitimidade para atuar nesse novo cenário digital.
DREX: a infraestrutura que faltava
Paralelamente, a evolução do DREX tem ampliado as discussões sobre infraestrutura financeira digital. Quando esse ecossistema estiver maduro, ele permitirá um ambiente seguro, compatível com a legislação e integrado ao sistema bancário brasileiro, destravando operações de tokenização de forma mais fluida.
O DREX não é apenas uma moeda digital. Ele representa a construção de uma infraestrutura completa que conecta instituições financeiras, registros de propriedade e transações em blockchain de maneira regulamentada. Essa base tecnológica é essencial para que a tokenização imobiliária deixe de ser uma promessa e se torne uma realidade operacional em larga escala.
A democratização pela tecnologia
No setor privado, começam a surgir soluções que tornam esse processo mais acessível, como marketplaces especializados e plataformas de tokenização as a service. Para incorporadoras, isso representa acesso facilitado à tecnologia; para o consumidor final, torna a experiência cada vez mais intuitiva e didática.
Não é mais necessário que uma incorporadora desenvolva toda a infraestrutura tecnológica internamente. Plataformas especializadas oferecem soluções completas, desde a criação dos tokens até a gestão dos investidores, reduzindo significativamente a barreira de entrada. Do lado do comprador, interfaces amigáveis e processos simplificados eliminam o medo da complexidade tecnológica.
Por isso, acredito que 2026 será o ano em que veremos um aumento perceptível no volume de operações tokenizadas no Brasil. O público começará a experimentar a transferência de imóveis de maneira simples, rápida e transparente, quase tão natural quanto fazer um Pix.
A convergência entre regulação clara, infraestrutura robusta e soluções tecnológicas acessíveis cria as condições ideais para um salto quantitativo. Proprietários poderão vender frações de imóveis em minutos, investidores terão acesso a oportunidades antes restritas a grandes capitais, e incorporadoras conseguirão captar recursos de forma mais ágil e diversificada.
À medida que 2026 se aproxima, devemos observar alguns movimentos importantes:
Aumento de casos reais: Mais empreendimentos sendo tokenizados, saindo do campo teórico para transações concretas que geram histórico e credibilidade.
Educação do mercado: Campanhas de esclarecimento sobre como funciona a tokenização, seus benefícios e segurança jurídica, preparando tanto profissionais do setor quanto consumidores.
Integração com players tradicionais: Bancos, construtoras e imobiliárias de grande porte começando a incorporar a tokenização em seus modelos de negócio, legitimando ainda mais o mercado.
Padronização de processos: Estabelecimento de melhores práticas e padrões operacionais que facilitarão a comparação entre diferentes ofertas e aumentarão a confiança dos investidores.
Para finalizar, a tokenização imobiliária no Brasil não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”. E tudo indica que em 2026 continuará consolidando o setor imobiliário nacional. Com regulação evoluindo, infraestrutura se consolidando e tecnologia se democratizando, estamos às vésperas de uma transformação que tornará o mercado imobiliário mais acessível, líquido e eficiente.
Para investidores, incorporadoras e profissionais do setor, este é o momento de se preparar. O futuro digital do mercado imobiliário não está distante, ele está batendo à porta.
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