Por Julio Carvalho
Depois de cinco anos do lançamento do Open Finance, 2026 marca o momento em que ele deixa de ser promessa e vira infraestrutura de fato. O uso prático já se estende para crédito, investimentos e meios de pagamento, incluindo o Pix automático. Segundo o Relatório OpenTalks 2025 da EY, o ecossistema brasileiro já ultrapassa 55 milhões de usuários e se tornou referência global. Quem trabalha no core banking de instituições financeiras, sente essa evolução no dia a dia: os requisitos técnicos e regulatórios mudaram de patamar.
E é exatamente isso que aconteceu. O Banco Central elevou a barra ao longo do último ano, publicando uma série de medidas que impactam diretamente as fintechs, em especial as Sociedades de Crédito Direto (SCDs). Criadas em 2018 para expandir o acesso ao crédito de forma digital e sem intermediação bancária tradicional, as SCDs hoje enfrentam um nível de exigência regulatória que muitas não anteciparam. Independentemente do estágio de maturidade de cada uma, os desafios são concretos e, na maioria das vezes, são atrelados à tecnologia.
Adaptar-se a essa realidade significa, na prática, construir infraestruturas capazes de sustentar operações de crédito pessoal e consignado com rastreabilidade, segurança e conformidade, incluindo processos como o envio de Catálogo de Documentos do Banco Central do Brasil (CADOCs) ao Banco Central, que são complexos e não perdoam improviso. Isso demanda investimento robusto em tecnologia: arquitetura de sistemas pensada para o regulatório brasileiro, não apenas ferramentas genéricas. E aqui entra um ponto que considero crítico: esse tipo de capacidade só se desenvolve com parceiros que entendam profundamente o universo financeiro, não apenas tecnologia pela tecnologia.
IA no financeiro: do hype à operação
A Inteligência Artificial (IA), generativa ou agêntica, já ultrapassou a fase de experimentação no setor financeiro. As fintechs que adotaram IA de forma estratégica estão colhendo resultados tangíveis: recomendações personalizadas, melhor experiência do cliente e, principalmente, redução de custos operacionais em gestão de risco e reportes regulatórios.
Mas a realidade não é simples. A sofisticação regulatória cresce na mesma velocidade das inovações, e isso cria um desafio prático para as instituições menores. Contratar e reter talentos em ciência de dados e engenharia de IA é caro. Manter segurança cibernética à altura do Open Finance e gerenciar dados sensíveis com governança adequada também é. Para muitas fintechs, o custo de conformidade pode se tornar uma barreira real à expansão, o que torna as decisões sobre parcerias tecnológicas e plataformas de core banking ainda mais estratégicas.
No fim, a capacidade de navegar essa convergência entre maturidade regulatória e inovação tecnológica vai separar as instituições que crescem de forma sustentável daquelas que ficam pelo caminho. E isso começa por uma escolha: investir em infraestrutura tecnológica com quem entende o setor financeiro brasileiro por dentro.
Julio Carvalho é diretor da unidade de negócios Core Banking da Dimensa.
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