O avanço da regulamentação dos ativos virtuais no Brasil deve inaugurar uma nova etapa para o quinto maior mercado de criptoativos do mundo. Essa etapa será mais institucional, mais integrada ao Sistema Financeiro Nacional e mais exigente em governança, segurança, segregação de ativos e comprovação de controles.
Essa é uma das principais conclusões do relatório “A Era das PSAVs no Brasil: Segurança e compliance na contagem regressiva para outubro de 2026”. O documento foi publicado pela CertiK, maior provedora de serviços de segurança para Web3.
Atualmente, o mercado está entrando em uma etapa decisiva com a aproximação de 30 de outubro de 2026. Este é o prazo final para que os prestadores de serviços de ativos virtuais (PSAVs) apresentem seus pedidos de autorização ao Banco Central acompanhados de certificação independente de compliance.

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Impacto da Regulamentação Cripto no Brasil
Segundo o relatório da CertiK, a regulamentação representa a integração de um mercado superior a US$ 300 bilhões anuais ao perímetro do Sistema Financeiro Nacional. Ela submete as empresas a novas exigências de capital, governança, segregação patrimonial, prevenção à lavagem de dinheiro, segurança e supervisão.
De fato, trata-se de um mercado de escala continental. Ele cresce no ritmo dos mercados emergentes e está estruturado sobre uma infraestrutura digital financeira de país desenvolvido. Contudo, como define o relatório, este potencial permanece “oculto à vista de todos”.
“A institucionalização do mercado brasileiro deverá elevar os custos e as barreiras de entrada. No entanto, ela também criará oportunidades para empresas capazes de transformar segurança e conformidade em diferenciais competitivos”, afirma Jason Jiang, Chief Business Officer da CertiK.
Stablecoins e o Papel do Banco Central
Entre 2019 e 2025, brasileiros movimentaram aproximadamente R$ 1,58 trilhão em criptoativos. Desses, cerca de R$ 1,13 trilhão foi em stablecoins. A participação desses ativos no volume declarado passou de 3,5% em 2019 para mais de 80% desde 2023.
Para a CertiK, essa predominância ajuda a explicar o papel central do Banco Central na regulamentação. Ela também demonstra a crescente relevância de temas como câmbio e pagamentos internacionais. Além disso, o relatório revela uma mudança no uso dos ativos digitais, incluindo pagamentos B2B e liquidações internacionais.
A Nova Lógica do Compliance Contínuo
O novo marco regulatório leva o mercado para um ambiente de supervisão contínua. Além das exigências de capital, governança e segurança, as empresas precisarão demonstrar, com evidências verificáveis, que seus controles funcionam de forma efetiva.
Nesse sentido, na avaliação da CertiK, compliance, segurança e gestão de riscos deixam de ser projetos pontuais. Eles passam a funcionar como infraestrutura permanente, especialmente diante das próximas ondas regulatórias envolvendo stablecoins, tokenização, câmbio e supervisão.
Regulação Redesenha Modelos de Negócio
O relatório estima cerca de 120 prestadores de serviços no mercado. Eles estão submetidos agora a exigências de capital mínimo entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões, além de um processo de autorização mais complexo e custoso.
Contudo, nem todas as empresas deverão buscar uma licença própria. Dessa forma, o cenário tende a acelerar a consolidação do setor, com aumento de operações de fusões e aquisições (M&A), aquisição de empresas autorizadas e valorização das licenças como ativos estratégicos.
Por exemplo, também devem ganhar espaço modelos como o Crypto-as-a-Service. Neles, fintechs e empresas Web3 operam por meio da infraestrutura e da licença de uma PSAV autorizada. Outras companhias poderão se posicionar como fornecedoras de tecnologia, segurança e compliance para instituições reguladas.

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“O país está incorporando um mercado de escala global a uma infraestrutura financeira já altamente desenvolvida. Por isso, a prontidão de uma empresa para navegar nesse ambiente será, cada vez mais, determinada pela sua capacidade de comprovação”, conclui Jiang.
Sobre a CertiK
A CertiK é a maior provedora de serviços de segurança para Web3, com sede em Nova York. Desde sua fundação, em 2017, a empresa se consolidou como uma parceira confiável em gestão de riscos para órgãos reguladores, instituições e empresas inovadoras do ecossistema Web3 em todo o mundo.
A CertiK oferece soluções de gestão de riscos baseadas em inteligência artificial e voltadas a todo o ciclo de vida, integrando-se diretamente aos ciclos de desenvolvimento de sistemas (SDLC) de clientes institucionais. Até o momento, a CertiK já identificou mais de 119 mil vulnerabilidades e protegeu mais de US$ 600 bilhões em ativos digitais em mais de 150 países e regiões. Operando em conformidade com os padrões SOC 2 Type II e ISO 27001, a CertiK trabalha em estreita colaboração com órgãos reguladores de todo o mundo no desenvolvimento de políticas para ativos digitais e em processos de consulta regulatória.
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