A maior atualização do mecanismo de consenso da blockchain desde 2020 já está em operação e promete acelerar pagamentos, negociações e liquidações financeiras.
A Solana colocou em operação o Alpenglow, novo protocolo de consenso que reduziu o tempo de finalização definitiva das transações de aproximadamente 12,8 segundos para 150 milissegundos. A atualização, anunciada em 21 de outubro pela Anza, equipe responsável por parte do desenvolvimento central da rede, representa a maior mudança no sistema de consenso da blockchain desde o lançamento, em 2020.
A migração ocorreu na rede principal da Solana, conhecida como mainnet-beta, e substituiu o TowerBFT, mecanismo utilizado desde a criação da blockchain. Segundo a Anza, a transição foi concluída sem interromper a disponibilidade da rede.

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O avanço coloca a velocidade de liquidação no centro da estratégia da Solana para conquistar espaço em aplicações financeiras, especialmente em pagamentos digitais, negociação de ativos e operações que exigem confirmação praticamente imediata.
“Este é mais um grande passo da Solana, que ainda está em beta na sua mainnet. Desde o surgimento da Solana, o seu design de base era diferente do oferecido por Ethereum e EVMs no sentido de que a validação de transações acontecia de maneira diferente — um exemplo é a própria forma de sequenciamento de transações e tempo de finalização na rede”, explica o Head na América Latina da Solana Foundation, Antonio Neto.
O que muda com os 150 milissegundos
A principal inovação do Alpenglow está na chamada finalidade (finality), etapa em que uma transação passa a ser considerada irreversível segundo as regras de consenso da blockchain.
Embora a Solana já oferecesse confirmações preliminares em poucos segundos, a finalização definitiva exigia, historicamente, cerca de 12,8 segundos. Com o novo protocolo, esse intervalo cai para aproximadamente 150 milissegundos — uma redução superior a 98%.
Na prática, isso significa que bancos, corretoras e estabelecimentos comerciais podem obter mais rapidamente a garantia de que uma transferência foi concluída.
Para uma corretora de criptomoedas, por exemplo, a mudança pode reduzir o tempo necessário para reconhecer depósitos. No comércio, abre espaço para experiências de pagamento mais próximas da velocidade exigida por sistemas financeiros convencionais.
Neto explica que blockchains são como bases de dados, com programabilidade e outras coisas que já conhecemos.
Conforme Neto, “até o surgimento da Solana ainda havia um gap na aproximação entre o que serve hoje de infraestrutura de mercado financeiro e o que tá sendo proposto pela Solana. Essa atualização aproxima a blockchain da Solana do que existe hoje no mercado tradicional com todos os benefícios conhecidos. Mas nós não vamos parar por aqui; esse é mais um passo para chegar ao limite hoje conhecido — cerca de 20 ms — para equiparar ao que existe atualmente nos bancos de dados centralizados.”
O anúncio não significa, porém, que todas as operações realizadas por aplicativos passarão a ser concluídas em exatamente 150 milissegundos. A experiência do usuário também depende de fatores como conexão, processamento e infraestrutura dos serviços utilizados.
Maior atualização desde o lançamento da Solana
A ativação ocorreu em 21 de outubro de 2026, por volta das 14h no horário UTC, no bloco 459.653.000 da blockchain.
O procedimento exigiu que validadores independentes coordenassem a substituição do mecanismo de consenso enquanto a rede permanecia em funcionamento e preservava seu histórico de transações.
Brennan Watt, CEO da Anza, classificou a implementação como um dos projetos mais ambiciosos já realizados no setor.
“Esta é a maior e mais ambiciosa atualização de uma blockchain desde o The Merge”, afirmou Watt, em referência à mudança do Ethereum para o mecanismo de prova de participação, realizada em 2022.
Segundo o executivo, a equipe conseguiu transformar o projeto, inicialmente apresentado em um documento técnico, em uma tecnologia operacional na rede principal em menos de 18 meses.
“Esse cronograma agressivo só foi possível graças à qualidade da nossa equipe de desenvolvimento e à colaboração extraordinária das equipes do ecossistema e dos operadores de validadores”, declarou.
A Anza informou que o protocolo passou por testes públicos, simulações de ataques, avaliações de segurança e ensaios de migração antes de sua implementação definitiva. O desenvolvimento também envolveu a colaboração de operadores independentes, responsáveis por adotar e ativar a atualização.
Uma nova disputa pela infraestrutura financeira
A velocidade de finalização representa um diferencial importante na competição entre blockchains que buscam atrair aplicações do mercado financeiro tradicional.
Bancos, instituições de pagamento e plataformas de negociação precisam de sistemas capazes de confirmar transferências rapidamente, com previsibilidade e segurança. Nesse contexto, reduzir a finalização de segundos para frações de segundo pode ampliar a viabilidade de aplicações que dependem de liquidação quase instantânea.
A mudança também fortalece o posicionamento da Solana como infraestrutura para mercados de capitais digitais, incluindo operações com ativos tokenizados e pagamentos realizados diretamente em blockchain.
Ainda assim, a velocidade não é o único critério relevante para a adoção institucional. Segurança, estabilidade, descentralização, custos operacionais e requisitos regulatórios continuam sendo fatores decisivos.
Atualmente, gigantes da indústria como BlackRock, Visa, JP Morgan, Mastercard, Kalshi e Western Union utilizam Solana.
Próximas atualizações incluem segurança pós-quântica
O Alpenglow foi desenvolvido pela Anza e implementado no Agave, software utilizado por validadores da Solana.
Seu projeto foi apresentado em maio de 2025 por uma equipe de pesquisa liderada por Roger Wattenhofer, professor da ETH Zurich, em colaboração com Quentin Kniep e Kobi Sliwinski.
Evolução tecnológica não termina com a ativação do novo consenso.
Entre as melhorias planejadas está o Rotor, mecanismo destinado a modificar a distribuição de dados dos blocos pela rede. Outra iniciativa prevê mudanças na seleção geográfica dos validadores responsáveis pela produção de blocos, com o objetivo de reduzir atrasos de comunicação.
A Anza também trabalha no Quantumglow, proposta de evolução do Alpenglow voltada à segurança pós-quântica. O projeto prevê substituir determinados mecanismos criptográficos por assinaturas baseadas em funções de hash, preservando a velocidade de finalização.
Essas iniciativas ainda não possuem datas definitivas de lançamento. Com o Alpenglow em operação, a Solana dá um passo relevante na tentativa de aproximar a infraestrutura blockchain das exigências de velocidade do sistema financeiro global.

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Mais do que acelerar transações, a atualização reforça a disputa entre redes descentralizadas para se tornarem a infraestrutura de pagamentos e liquidação de ativos da economia digital.
Sobre o Superteam Brasil:
O Superteam é uma comunidade global de builders, designers e fundadores presente em mais de 20 países. No Brasil, é o ponto de contato oficial da Solana Foundation. Durante o hackathon, a Superteam Brasil dará suporte aos participantes desde o cadastro até a submissão dos projetos, com workshops, mentorias, conteúdos educacionais e apoio à formação de equipes.
Sobre a Solana:
Criada em 2017, a Solana é uma rede onchain de alto desempenho projetada para suportar aplicativos descentralizados. Reconhecida pela velocidade, baixo custo de transações e infraestrutura escalável, a rede suporta projetos em DeFi, tokenização de ativos e outras aplicações descentralizadas. Gigantes da indústria global como BlackRock, J.P Morgan, Stripe, Visa, Mastercard, SpaceX, Kalshi e Western Union já escolheram a Solana!
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