Enquanto Ibovespa e dólar batem recordes, Charles Mendlowicz avalia que o avanço descontrolado da inteligência artificial pode comprometer a segurança de bancos e ativos digitais
O mercado financeiro brasileiro atravessa uma onda de otimismo. Na última terça-feira (14), o Ibovespa se aproximou da marca histórica dos 200 mil pontos, impulsionado por um apetite externo ao risco que também derrubou o dólar para patamares abaixo de R$ 5,00. No entanto, por trás do rali, uma ameaça invisível começa a preocupar o setor: o potencial destrutivo da inteligência artificial (IA) generativa sobre a infraestrutura do sistema financeiro global.
O economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, alerta que o risco atual é sem precedentes. Segundo ele, não se trata de um “hype” passageiro como o Metaverso ou as NFTs, mas de um risco sistêmico estrutural. “Pela primeira vez em muitas décadas, o capitalismo está em risco, o sistema financeiro está em risco”, afirma Mendlowicz.
Um novo Bug do Milênio?
A preocupação não é isolada. No começo de abril, o presidente do Fed, Jerome Powell, e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reuniram-se com os chefes dos principais bancos dos Estados Unidos para discutir a ameaça cibernética do novo modelo Mythos, da Anthropic, e debater como a evolução de modelos de IA podem ser bons demais a ponto de se tornarem perigosos.
Charles Mendlowicz traça um paralelo com o Bug do Milênio, mas ressalta que o cenário atual é muito mais complexo. Se em 1999 o medo era uma falha de data, hoje o risco reside na capacidade da IA de quebrar protocolos de segurança que sustentam o dinheiro digital. “Vamos imaginar o estrago que ela pode fazer na questão das propriedades, de cartórios digitais, de senhas. Todo o dinheiro das pessoas está na palma da mão. E se esse dinheiro for perdido?”, questiona.
Vulnerabilidade total e o fim da privacidade
Mendlowicz conta que a Anthropic, empresa líder em IA em São Francisco, afirmou publicamente que o Mythos encontrou vulnerabilidades em todos os principais navegadores e sistemas operacionais. Na prática, isso significa que o novo modelo de IA pode ser capaz de ajudar hackers a interromper grande parte dos softwares mais importantes do mundo.
Para o investidor comum, os riscos enumerados pelo economista são diretos:
- Quebra de criptografia: o Bitcoin e outras criptomoedas podem ter sua segurança comprometida;
- Deepfakes e fraudes bancárias: a simulação perfeita de voz e imagem dificulta a autenticação de identidade em aplicativos de bancos;
- Ataques de Estados-Nação: o uso de IA por exércitos de hackers (como os da Coreia do Norte) para invadir sistemas governamentais e financeiros.
“O buraco é muito mais embaixo. Não é aquela história de usuário pagando milhões por um terreno de pixel. Isso aqui não tem nada a ver com risco sistêmico estrutural, já a IA, tem”, explica Mendlowicz.
Sobrevivência na “bolha”
Apesar do tom de alerta, o economista reconhece que a IA é um caminho sem volta e que grandes empresas como Amazon, Google e Apple sobreviveram a bolhas passadas (como a de 2000) por serem ativos sólidos. Contudo, ele alerta para a volatilidade do setor de cibersegurança, cujas ações despencaram recentemente diante do novo potencial das IAs.
A solução, para Mendlowicz, passa por uma mudança drástica na forma como interagimos com o sistema: “A gente vai ter que voltar na agência. Daqui a pouco, eu vou ter que chegar na minha agência do banco e validar a minha identidade de outra maneira, via íris ou outro método”.
Enquanto o Ibovespa celebra seus recordes, o recado do Economista Sincero é claro: a tecnologia que gera produtividade é a mesma que, se mal gerida, pode apagar registros bancários e desestabilizar a confiança que mantém o mercado de pé. “Nós estamos enfrentando um risco estrutural momentâneo. É uma situação extremamente preocupante”, finaliza.
Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.
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