Conheça 5 VPNs que aceitam pagamento em cripto para melhorar sua privacidade e segurança na internet na era da vigilância estatal
Todo mundo deveria usar VPN e pagar em cripto
Todo mundo deveria usar uma VPN hoje em dia, principalmente se você vive no Brasil. Optar por um serviço que aceita cripto como pagamento oferece uma camada extra de proteção contra potenciais tentativas do Estado em dificultar o acesso à essas ferramentas. Ainda melhor se utilizando moedas de privacidade como Monero, Zcash, ou Dash.
Vigilância estatal, leis de verificação de idade, restrições regionais a certas páginas na internet, vazamentos de bancos de dados ofertados na darknet e ataques direcionados contra computadores pessoais são alguns motivos claros da importância de blindar seu IP e registros de acesso.
Como em toda indústria, existem boas e nem-tão-boas-assim opções de VPN no mercado. Saber escolher a ferramenta que melhor se adequa às suas necessidades e oferece maior privacidade e segurança é essencial.
Um ponto que eu não abro mão, como disse no início, é o pagamento em criptomoeda. Não vejo muito motivo em depender do sistema tradicional para pagar por uma ferramenta que tem por objetivo me defender, entre outras coisas, do próprio governo que controla essas formas de pagamentos tradionais e centralizados.
5 VPNs com pagamento em cripto
Para este artigo, escolhi cinco boas opções de VPN que aceitam pagamento ou doações em cripto: NymVPN, Mullvad VPN, Tor Browser, NordVPN e ProtonVPN.
Eu também escrevi sobre três delas em maior profundidade em meu Substack: Código Aberto (codigoaberto.substack.com) — explicando como elas funcionam com pontos positivos e negativos em detalhes.
NymVPN: Uma rede VPN descentralizada com cripto
A minha VPN favorita para a era da vigilância digital é a NymVPN, rodando em uma rede descentralizada e alimentada pela cripto NYM. Como expliquei no artigo publicado no Código Aberto, a Nym oferece “o melhor dos dois mundos” com dois modos alternáveis. O usuário escolhe se quer mais velocidade com o modo Rápido ou mais privacidade com o modo Anônimo.
O modo Rápido lembra a arquitetura da Mullvad, utilizando um fork melhorado do protocolo WireGuard chamado AmneziaWG. Penso nisso como um túnel que protege o tráfego interno de veículos de observadores externos, usando uma porta de entrada e uma de saída.

Resumidamente, o usuário escolhe um servidor de entrada e um de saída que vai mascarar seu IP. Normalmente é recomendado usar um sistema de entrada mais próximo de você (como algum localizado no Brasil, por exemplo), e apontar a saída para o servidor da região que você quer espelhar (não escolher Brasil para acessar sites restritos no país).
Já o modo anônimo utiliza um sistema de roteamento em camadas semelhante ao do navegador Tor, mas com cinco saltos ao invés de três. Vou explicar rapidamente como ele funciona quando for falar sobre o Tor.
A Nym tem planos mensais, anuais e bi-anuais com descontos graduais e aceita: NYM, BTC, ETH, XMR, ZEC, DAI, USDC, USDT, DASH, BNB, ADA, LTC, DOGE, SHIB e LINK. Existe um período de sete dias de teste gratuito.
Mullvad VPN
Entre as opções de VPNs pagas e open-source (como também é o caso da NymVPN), Mullvad é provavelmente a que tem o histórico mais sólido.
Por exemplo, em 2023, a empresa sofreu uma batida policial para apreender reigstros de acesso dos usuários. No entanto, a polícia saiu com as mãos abanando pois a Mullvad não mantém nenhum registro (log) em seu banco de dados — com o intuito de proteger seus usuários.
Ela utiliza o WireGuard e tem a conexão mais rápida para uma ótima experiência de privacidade.
A Mullvad VPN trabalha apenas com planos mensais precificados em Euro e aceita um número menor de cripto para pagamento: BTC, BCH, XMR, e Lightning.
Tanto a Mullvad como a Nym utilizam um sistema anônimo de criação de conta. Evitando rastreamento por login.
Tor Browser
Tor não é uma VPN, mas é uma das ferramentas de privacidade na internet mais antigas, descentralizadas, e resilientes — merecendo um espaço aqui.
São mais de 7.000 nodes independentes rodando a rede que cria um sistema inteligente de roteamento em três camadas (ou três saltos). Eu gosto de visualizar isso como uma boneca russa ou o sistema de envelopes que descrevi no artigo em meu Substack.
Cada vez que os pacotes de dados viajam pela rede e saltam pelos servidores, uma nova camada é descoberta. A primeira camada (entrada) consegue ver o IP do usuário, a segunda (meio) não enxerga nada, e a terceira (saída) se conecta com o site e passa a mensagem.

A diferença para o modo anônimo da Nym é que ele utiliza três camadas de meio ao invés de apenas uma, usada pelo Tor Browser. Além disso, o Tor, como dito no nome, apenas aplica esse sistema de anonimidade para o navegador. Todos os outros aplicativos e conexões continuam desprotegidas.
Um ponto interessante do Tor Project é que, além de open-source, ele é gratuito. Qualque um pode baixar o navegador e desfrutar os benefícios de privacidade e segurança sem ter que pagar nada por isso.
No entanto, o projeto aceita doações em cripto, incluindo: BTC, DOGE, ETH, LTC, XMR, XLM e ZEC.
NordVPN aceita mais de 80 criptomoedas como pagamento
NordVPN é talvez uma das opções mais populares no mercado de VPNs hoje em dia e aceita pagamento em mais de 80 criptomoedas.
É uma alternativa mais comercial e coorporativa, o que traz alguns pontos negativos, na minha opinião. Primeiro, ela requer e-mail, uma conta google, ou uma conta apple para login. Segundo, o código da Nord não é totalmente open-source como as outras opções — exigindo maior confiança dos usuários na empresa.
ProtonVPN
Semelhantemente, a ProtonVPN se apresenta como outra opção comercial que também requer uma conta de e-mail para login. No caso, eles exigem uma conta da própria Proton, o que libera acesso para seus outros produtos.
Como ponto positivo, todos os aplicativos da Proton são open-source (de código aberto), o que é uma forte vantagem contra a Nord. Resumidamente, software de código fonte aberto permite auditorias independentes da comunidade o que aumenta a segurança do aplicativo e reduz os riscos de implementação de backdoors que poderiam ser utilizados por governos.
Transparência de código é crucial para um aplicativo de privacidade, por mais irônico que isso possa parecer.
A Proton aceita Bitcoin há um tempo e recentemente passou a aceitar pagamentos em Monero também, mas é, das cinco, a com menos opções em cripto.
Independente da VPN escolhida, é cada vez mais importante investir em privacidade e segurança nos dias de hoje. Eu posso ajudar com isso em sessões 1:1 de consultoria, caso haja interesse, e posto regularmente sobre o assunto em minhas redes sociais.
Sobre Vini B
Vini B pesquisa e escreve sobre cripto, software livre, privacidade e cibersegurança desde 2020. Somando seis anos de experiência em produção de conteúdo e consultoria especializada sobre o assunto. Ajudando pessoas a aprender como conseguir mais liberdade no ambiente digital. Vini é parceiro do BitcoinBlockBR e criador do thecoding, uma publicação gratuita e independente em thecoding.substack.com e é validador da rede da NEAR.
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