*Fabrício Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin (Imagem)
Comentário sobre a marca de 20 milhões de bitcoins minerados.
Bater 20 milhões de bitcoins minerados é, sim, um marco mais psicológico do que técnico. A rede não muda de regra por causa desse número, ela continua funcionando do mesmo jeito. Mas ele é um lembrete poderoso de algo bem objetivo: o Bitcoin está ficando “sem estoque novo”. A partir desse ponto, sobra menos de 1 milhão de bitcoins para serem minerados dentro do universo total de 21 milhões. É a escassez programada ficando ainda mais perceptível.
Isso tem consequência econômica e comportamental: cada ciclo torna mais difícil acumular posições relevantes, porque a oferta nova vai encolhendo e a disputa pelas moedas aumenta. A meta de virar um “wholecoiner”, o nome que se dá a quem tem um bitcoin inteiro, vai ficando mais rara e mais cara com o tempo. A pergunta que eu deixo é simples: você já começou a comprar, ou vai deixar para desejar ter 1 BTC quando ele estiver ainda mais difícil de alcançar?
Como funciona o processo de mineração do Bitcoin e seu limite de 21 milhões?
A mineração é o processo que mantém o Bitcoin funcionando sem um dono ou uma central controlando o sistema. Pense na mineração como a combinação de três coisas: segurança, contabilidade pública e recompensas.
Segurança: os mineradores, milhares de computadores ao redor do mundo, competem para resolver um desafio matemático complexo. Quem resolve primeiro ganha o direito de registrar o próximo bloco de transações na blockchain. A dificuldade desse desafio é ajustada periodicamente, de forma automática, para manter o ritmo de criação de blocos em torno de 10 minutos em média, mesmo quando aumenta ou diminui a quantidade de máquinas competindo na rede.
Contabilidade pública (o “livro-caixa”): a blockchain funciona como um livro-caixa público e compartilhado, uma espécie de extrato coletivo, com todas as transações que já foram realizadas. Qualquer pessoa pode verificar as transações registradas, mas ninguém consegue apagar ou reescrever o que já foi confirmado.
Recompensas: ao adicionar um bloco, o minerador recebe uma recompensa em bitcoin. Isso tem dois componentes: novos bitcoins criados (a nova emissão), e taxas pagas pelas transações incluídas naquele bloco.
Por que isso leva ao limite de 21 milhões? Porque a emissão de novos bitcoins segue uma regra fixa desde o começo: a recompensa diminui pela metade a cada quatro anos, um processo chamado halving. Com isso, a criação de novas moedas vai desacelerando até chegar a zero. Esse desenho faz o Bitcoin ter uma escassez programada: a quantidade máxima é conhecida e limitada desde o nascimento do protocolo.
No fim, a mineração é como “cunhar” moedas em uma casa da moeda global e neutra, automatizada, com regras públicas e um mandato matemático para emitir, no total, 21 milhões de unidades.
E o que vai acontecer quando o último bitcoin for minerado?
O último bitcoin deve ser minerado por volta de 2140. Na prática, não será um bitcoin inteiro, mas uma fração extremamente pequena. Nessa fase final, a recompensa já terá sido reduzida até chegar a um satoshi, que é a menor unidade possível do bitcoin.
Depois disso, o halving tentará dividir essa recompensa por dois, mas isso não será possível, pois resultaria em um valor menor que um satoshi. Nesse momento, a recompensa passa a zero e a emissão de novos bitcoins chega ao fim.
Isso, no entanto, não representa um problema. A remuneração dos mineradores é composta por duas fontes. A primeira é a recompensa de bloco, que existe desde 2009 e vem sendo reduzida pela metade aproximadamente a cada quatro anos, por meio do halving, até chegar a zero por volta de 2140.
A segunda fonte de receita são as taxas de transação incluídas em cada bloco. Essas taxas sempre fizeram parte da remuneração dos mineradores e continuarão existindo, porque cada bloco precisa incluir pelo menos uma transação, e toda transação paga uma taxa mínima.
Assim, mesmo quando o subsídio da rede, ou seja, a emissão de novos bitcoins, terminar, os mineradores continuarão sendo remunerados pelas taxas de transação.
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