O avanço da regulamentação dos criptoativos no Brasil e a retomada do interesse pelo Bitcoin têm levado cada vez mais brasileiros a buscar informações sobre como comprar, vender e armazenar criptomoedas com segurança.
Para orientar investidores iniciantes, a AVO (Aprendizado Virtual OnilX) preparou um guia explicativo. Além disso, este guia reúne os principais conceitos sobre o funcionamento desse mercado, os aspectos legais, tributários e os cuidados necessários antes de realizar o primeiro investimento.
Cenário do Mercado de Criptomoedas
O interesse pelo tema acompanha um cenário de fortalecimento do mercado global. Por exemplo, durante boa parte de julho, o Bitcoin foi negociado entre US$ 58 mil e US$ 66 mil. Ele encerrou o mês próximo de US$ 64 mil em um movimento de consolidação após a volatilidade registrada no primeiro semestre. Além disso, no mesmo período, os ETFs spot de Bitcoin voltaram a apresentar saldo líquido positivo, com aproximadamente US$ 403 milhões em novos aportes. Isso indica uma retomada da demanda institucional pelo ativo.

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Para Cleverson Pereira, Head de Educação da AVO, o crescimento do interesse dos brasileiros pelas criptomoedas reforça a importância da educação financeira antes da tomada de decisão. “O primeiro passo para quem deseja investir em criptomoedas não é abrir uma conta em uma corretora, mas entender como esse mercado funciona. Conhecimento reduz erros, ajuda o investidor a reconhecer riscos e evita decisões tomadas apenas pela alta momentânea dos preços”, avalia.
O Que São Criptomoedas
As criptomoedas são ativos digitais registrados em blockchain. Esta tecnologia funciona como um livro-razão distribuído protegido por criptografia. Nesse sentido, entre os principais ativos negociados estão Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), Solana (SOL), XRP, Cardano (ADA) e as stablecoins, como USDT, USDC e BRZ. Os valores destas stablecoins acompanham moedas fiduciárias, como dólar e real. De fato, atualmente, as stablecoins concentram boa parte do volume negociado pelos investidores brasileiros, especialmente o USDT.
Regulamentação no Brasil
No Brasil, comprar, vender e possuir criptomoedas é uma atividade legal. Portanto, o setor passou a contar com regras específicas após a publicação da Lei nº 14.478/2022. Esta é conhecida como Marco Legal dos Criptoativos. Em seguida, desde então, o Banco Central vem regulamentando e supervisionando as empresas. Elas oferecem serviços relacionados aos ativos virtuais. Paralelamente, a Receita Federal ampliou as exigências de declaração e reporte de determinadas operações envolvendo criptoativos. Isso inclui negociações realizadas em exchanges estrangeiras, conforme a legislação vigente.
Como Começar a Investir
Para quem pretende começar a investir, o processo costuma ser simples. O investidor abre uma conta em uma exchange, realiza um depósito via PIX. Em seguida, ele compra a quantidade desejada de criptomoedas. Vale destacar que não é necessário adquirir um Bitcoin inteiro, sendo possível investir em pequenas frações do ativo. Outra alternativa é investir por meio de ETFs de criptomoedas negociados na B3. Esta modalidade é indicada para quem deseja exposição ao mercado sem manter os ativos diretamente em uma carteira digital.
Custos, Tributação e Custódia
Antes da compra, especialistas recomendam analisar cuidadosamente os custos envolvidos. Além das taxas cobradas pelas corretoras, podem existir spreads entre compra e venda, tarifas de saque. Também há taxas da própria blockchain para transferências entre carteiras. Também é importante compreender que lucros obtidos na venda podem estar sujeitos à tributação conforme a legislação vigente. Além disso, há obrigações acessórias exigidas pela Receita Federal.
Outro aspecto fundamental envolve a custódia dos ativos. O investidor pode manter suas criptomoedas na própria corretora ou transferi-las para uma carteira digital sob seu controle. Esta modalidade é conhecida como autocustódia. Embora essa alternativa ofereça maior autonomia sobre os ativos, ela exige atenção redobrada. Isso ocorre porque a perda da chave privada normalmente significa a perda definitiva do acesso às criptomoedas.
Atenção aos Golpes
Além das oscilações naturais do mercado, investidores também precisam estar atentos aos golpes. Promessas de rentabilidade garantida, falsas corretoras, pirâmides financeiras, perfis falsos em redes sociais e supostos robôs de investimento continuam entre as fraudes mais comuns envolvendo criptoativos. Por isso, recomenda-se utilizar plataformas confiáveis, ativar autenticação em dois fatores, manter registros das operações. Também é importante desconfiar de qualquer promessa de lucro elevado sem risco.
Responsabilidade do Investidor
“Criptomoedas podem fazer parte de uma estratégia de investimento, mas não existe retorno garantido. O investidor precisa conhecer seu perfil, diversificar a carteira e aplicar apenas recursos compatíveis com sua capacidade financeira. Mais importante do que acertar o melhor momento de compra é investir de forma consciente e segura”, destaca Cleverson Pereira.

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Outro ponto frequentemente desconhecido pelos investidores é que o Bitcoin não possui garantia do Banco Central. Ele também não possui cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Isso significa que eventuais perdas decorrentes da desvalorização dos ativos são de responsabilidade do próprio investidor. Da mesma forma, quem opta pela autocustódia deve proteger cuidadosamente suas chaves privadas para evitar a perda definitiva dos recursos.
“Muitas pessoas acreditam que o Bitcoin funciona como uma aplicação bancária tradicional, mas isso não é verdade. O investidor precisa entender que não existe garantia do Banco Central nem proteção do Fundo Garantidor de Créditos. Além disso, quem escolhe fazer a autocustódia assume a responsabilidade de proteger suas chaves privadas, porque a perda dessas informações normalmente significa perder o acesso aos ativos”, esclarece o especialista.
Educação Financeira e Digital
À medida que a regulamentação brasileira evolui e o acesso aos ativos digitais se torna mais amplo, cresce também a importância da educação financeira e digital. Dessa forma, compreender como funcionam as criptomoedas, conhecer as regras tributárias, adotar boas práticas de segurança e investir de acordo com o próprio perfil são medidas fundamentais. Elas são essenciais para participar desse mercado de maneira responsável.
Guia para comprar criptomoedas com mais segurança
- Escolha uma exchange confiável e com processos de identificação dos clientes.
- Ative autenticação em dois fatores (2FA).
- Conheça todas as taxas antes de investir.
- Entenda as regras tributárias e de declaração.
- Invista apenas recursos compatíveis com seu perfil financeiro.
- Guarde comprovantes de todas as operações.
- Desconfie de promessas de rentabilidade garantida.
- Avalie se deseja manter os ativos na corretora ou em carteira própria.
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